Nicarágua anuncia libertação de prisioneiros após pressão dos EUA
Governo de Daniel Ortega libera dezenas de detidos em meio a críticas internacionais e denúncias de repressão
O Ministério do Interior da Nicarágua anunciou neste sábado, 10, a libertação de dezenas de prisioneiros, em resposta ao aumento da pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, sobre o regime de Daniel Ortega. A medida ocorre uma semana após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Na sexta-feira, 9, a embaixada dos EUA na Nicarágua afirmou que a Venezuela havia dado um passo importante em direção à paz ao libertar o que classificou como "prisioneiros políticos". No entanto, lamentou que, na Nicarágua, "mais de 60 pessoas permanecem injustamente detidas ou desaparecidas, incluindo pastores, trabalhadores religiosos, doentes e idosos".
Em comunicado oficial, o Ministério do Interior informou que "dezenas de pessoas que estavam no Sistema Penitenciário Nacional estão retornando para suas casas e famílias".
Também na sexta-feira, uma ONG que monitora violações de direitos humanos no país revelou que pelo menos 61 pessoas foram presas na Nicarágua após manifestarem apoio ou celebrarem a captura de Maduro nas redes sociais. As detenções ocorreram em nove estados do país.
Desde os protestos em massa de 2018, violentamente reprimidos pelo governo, a Nicarágua enfrenta uma onda de repressão, com prisões de opositores, líderes religiosos e jornalistas.
Nos últimos oito anos, mais de 5.000 organizações, em sua maioria religiosas, foram fechadas, e milhares de pessoas foram obrigadas a deixar o país.