TENSÃO DIPLOMÁTICA

Chanceler iraniano rebate provocação dos EUA: 'O fogo atingirá o incendiário'

Abbas Araghchi responde a comentário de Mike Pompeo sobre protestos no Irã e alerta para consequências da ingerência estrangeira.

Por Sputinik Brasil Publicado em 10/01/2026 às 19:15
Chanceler iraniano reage a provocações dos EUA durante protestos e crise econômica no Irã. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu de forma contundente neste sábado (10) a um comentário do ex-secretário de Estado americano Mike Pompeo sobre os protestos no país. Pompeo publicou em suas redes sociais: "Feliz Ano Novo aos iranianos nas ruas e aos agentes do Mossad com eles", insinuando uma possível ingerência estrangeira nos protestos.

Araghchi rebateu, afirmando que a ideia de que Israel e Estados Unidos fomentam a violência no Irã é "ilusória". No entanto, ironizou: "O único aspecto 'ilusório' é achar que o fogo não atingirá o incendiário".

O chanceler também mencionou declarações do ex-diretor da CIA durante o governo Trump, que admitiu ações do Mossad apoiadas pelos EUA.

Segundo Araghchi, para o governo americano, considerar que Israel e EUA incitam levantes violentos no Irã seria uma "ilusão".

Mais cedo, agentes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) detiveram um suposto agente da agência de inteligência israelense Mossad.

Os protestos no Irã tiveram início no fim de dezembro de 2025, motivados pela desvalorização do rial iraniano. O principal foco das manifestações foi a forte oscilação da taxa de câmbio e seu impacto nos preços do atacado e varejo. Nesse contexto, o então presidente do Banco Central do Irã, Mohammad Farzin, renunciou ao cargo, sendo substituído por Abdolnasser Hemmati.

Em diversas cidades, os protestos resultaram em confrontos com a polícia e manifestações de descontentamento contra o sistema político. Houve registros de vítimas entre forças de segurança e manifestantes.

De acordo com o Banco Central do Irã, a inflação anual atingiu 38,9%, enquanto o rial segue em queda acelerada. Nos últimos meses, a moeda atingiu sucessivas mínimas históricas frente ao dólar. Em maio de 2018, antes da saída dos EUA do acordo nuclear, o dólar era negociado a cerca de 50 mil riais no mercado paralelo. Atualmente, ultrapassa 1,4 milhão de riais.