México deve adotar postura mais firme diante das ameaças dos EUA, avalia especialista
Consultor em segurança sugere resposta mais contundente do governo mexicano às pressões de Washington, especialmente frente às ameaças de Donald Trump.
Apesar da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, priorizar o diálogo com Washington para reduzir tensões, o México precisa apresentar uma posição mais firme diante das ameaças dos Estados Unidos, especialmente do presidente Donald Trump. A avaliação é de Alberto Guerrero Baena, consultor especializado em segurança, em entrevista à Sputnik.
Segundo Baena, Trump tem reiterado ameaças de atacar cartéis de drogas em território mexicano, atitude que pode desencadear uma crise diplomática entre os dois principais parceiros da América do Norte.
"A estratégia do governo mexicano deve ser mais direta, fria e bem definida em relação aos EUA, mas com uma proteção jurídica adequada", destacou.
O especialista lembra que a época em que agentes da Administração de Repressão às Drogas (DEA) e da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA circulavam livremente pelo México já ficou para trás.
Nesse contexto, Baena criticou a postura do governo mexicano, que, em sua visão, tem adotado uma "diplomacia muito branda" diante da Casa Branca, ressaltando que o governo dos EUA costuma cumprir o que promete.
Ele citou como exemplo o caso da Venezuela, quando o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado por forças norte-americanas em uma intervenção militar que provocou indignação na comunidade internacional.
Guerrero Baena também defende que o diálogo bilateral não deve se limitar apenas ao nível das chancelarias.
Para o consultor, quem conquistou a confiança de Washington foi Omar García Harfuch, secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México.
"O ponto é que o México comece a limpar sua política de pessoas envolvidas ou com alguma ligação com o crime organizado", concluiu.
Recentemente, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou considerar improvável que uma ação militar semelhante à realizada pelos EUA na Venezuela ocorra em território mexicano.
Por outro lado, Donald Trump já declarou diversas vezes que não descarta a possibilidade de ataques das forças norte-americanas em solo mexicano contra cartéis de drogas, o que pode impactar negativamente a relação bilateral.
Por Sputnik Brasil