Ibovespa perde força no fim do dia, abaixo de 164 mil; na semana, +1,76%
O Ibovespa chegou a encaminhar fechamento pela segunda vez na linha dos 164 mil pontos, em nível superado apenas pelo do último dia 4 de dezembro, então no recorde histórico de encerramento, aos 164.455,61 pontos. Na semana, a primeira completa de janeiro, o índice da B3 acumulou ganho de 1,76%, colocando o avanço neste início de ano a 1,39%. Na semana anterior, de transição entre 2025 e 2026 e com apenas três sessões, o Ibovespa havia recuado 0,22%. O giro financeiro desta sexta-feira, 09, ficou em R$ 22,3 bilhões.
No encerramento desta sexta, marcava alta muito moderada a 0,27% na sessão, aos 163.370,31 pontos. Da mínima à máxima do dia, oscilou dos 162.637,86 aos 164.263,24 pontos, tendo saído de abertura aos 162.938,15. Na ponta ganhadora do índice nesta sexta-feira, Multiplan (+4,25%), Cogna (+3,95%) e Cury (+3,81%). No lado oposto, Assaí (-4,22%), Azzas (-4,13%) e Magazine Luiza (-3,69%).
Entre as blue chips, as ações do setor financeiro se firmaram em ascensão discreta à tarde, o que contribuiu para dar algum fôlego ao Ibovespa pela ponderação que tem no índice, com destaque para Santander (Unit +1,16%) no fechamento - exceção para Itaú (PN -0,20%). Vale ON, principal ação do Ibovespa, caiu 1,14%, amplificando o ajuste em direção ao encerramento, o que retirou dinamismo do índice. Petrobras teve sinal misto (ON -0,19%, PN +0,33%).
Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, a leitura oficial sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos referente a dezembro não mexe com as expectativas para a decisão de juros do Federal Reserve em janeiro, e foi recebida sem "alarde" pelos mercados. Em Nova York, os principais índices de ações subiram: Dow Jones, 0,48%; S&P 500, 0,65%; e Nasdaq, 0,81%.
"Leitura do payroll reforçou a expectativa por manutenção dos juros nos Estados Unidos, na próxima reunião do Fed em janeiro", diz Bruna Centeno, economista e advisor da Blue3 Investimentos. "Dia mais positivo para o Ibovespa, com o IPCA tendo mostrado, hoje, inflação mais controlada, em linha com esperado pelo mercado, dentro do limite de tolerância para o índice oficial."
Dessa forma, a leitura para a inflação pelo IPCA em dezembro, também divulgada nesta manhã, reforça, em tese, a expectativa por uma atuação do BC brasileiro sobre a Selic na reunião de março, com o início do que se espera como um ciclo de afrouxamento monetário no País - e em ano eleitoral, quando os gastos públicos tendem a crescer, dando estímulo à economia e ao desempenho das empresas.
Outro desdobramento importante na agenda desta sexta foi o anúncio do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, mas o efeito do alcance deste entendimento dividiu a opinião de especialistas.
O embaixador José Alfredo Graça Lima, um dos primeiros negociadores brasileiros no acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), avalia que foram colocadas tantas cotas de importação no acordo entre os dois blocos que os efeitos sobre o comércio serão pequenos. "É um mise-en-scène encenação." Ainda assim, o acordo - aprovado pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira, 9, e com previsão de assinatura na segunda-feira, 12 - tem um impacto positivo, sobretudo no curto prazo, de acordo com Graça Lima.
Por outro lado, na avaliação do inglês John Clarke, ex-chefe da delegação do bloco europeu na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Organização das Nações Unidas (ONU), o entendimento seria "bastante ambicioso". "É o maior acordo de livre comércio da história. É muito maior do que UE-Japão, UE-Canadá, ou Estados Unidos-Canadá-México", diz ele, que liderou as negociações europeias da área agrícola para o acordo durante quase toda a década passada.
Na estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), o acordo entre os blocos cria um mercado de US$ 22 trilhões e pode elevar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões.
"O acordo UE-Mercosul tem impacto mais estrutural do que tático sobre o dólar, ao favorecer exportações, ampliar o acesso a mercados desenvolvidos e melhorar a percepção de integração e previsibilidade do Brasil, contribuindo para uma redução marginal do prêmio de risco cambial no longo prazo, ou seja, valorização do real frente ao dólar", prevê Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos.
"O acordo funciona mais como reforço qualitativo da narrativa positiva para o Brasil do que como driver efetivo de fluxo", acrescenta.
O quadro das expectativas para as ações no curtíssimo prazo manteve-se inalterado no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta, o primeiro de 2026. Pela terceira semana consecutiva, 60% dos participantes esperam alta para o Ibovespa na próxima semana, contra 20% que preveem estabilidade e outros 20%, queda, exatamente como nas duas edições anteriores.