ECONOMIA

Serviços demoram mais para sentir efeito da política monetária, aponta IBGE

Inflação do setor avança em dezembro, puxada por demanda aquecida, festas de fim de ano e pagamento do 13º salário.

Publicado em 09/01/2026 às 14:17
Divulgação/IBGE

A inflação de serviços, considerada um termômetro das pressões de demanda sobre os preços, acelerou de 0,60% em novembro para 0,72% em dezembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, o mais elevado desde fevereiro de 2025 (0,82%), reflete não apenas fatores sazonais, mas também uma demanda aquecida pelo fortalecimento do mercado de trabalho, conforme avaliou Fernando Gonçalves, gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

“Os serviços acabam demorando um pouco mais para responder aos efeitos da política monetária. Alguns componentes, como passagem aérea, já são esperados terem variação positiva. É mês de férias”, destacou Gonçalves.

O pesquisador acrescentou que o subitem passagem aérea também pressionou a inflação ao longo de 2025, assim como o transporte por aplicativo. Em dezembro, serviços como cabeleireiro e barbeiro (1,28%), depilação (1,01%) e manicure (1,14%) também registraram alta, impulsionados pela maior demanda.

“Teve pressão maior por conta das festas de fim de ano”, justificou Gonçalves. “A desocupação está em baixa, a renda da população está um pouco mais alta. Então a população acaba consumindo um pouco mais esses serviços, e isso acaba influenciando um pouco mais essa inflação. E em dezembro tem pagamento de 13º salário.”

Por outro lado, os preços de itens monitorados pelo governo passaram de uma alta de 0,21% em novembro para uma deflação de 0,22% em dezembro.

No acumulado em 12 meses, a inflação de serviços subiu de 5,96% em novembro para 6,01% em dezembro. Já a inflação dos itens monitorados caiu de 5,33% para 5,28% no mesmo período.