Ibovespa avança com influência internacional, mas IPCA freia ganhos
Índice brasileiro reage a dados do payroll dos EUA e ao IPCA de dezembro, enquanto commodities e cenário externo influenciam desempenho.
O Ibovespa iniciou o dia em alta, impulsionado pelo otimismo dos mercados internacionais e pela valorização de cerca de 1,60% do petróleo. No entanto, o índice brasileiro mostrou cautela diante da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e das projeções para 2025. A queda de 0,73% no preço do minério de ferro também pressionou as ações do setor metálico.
Além do IPCA, investidores acompanharam o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, o payroll, divulgado às 10h30. O cenário corporativo e geopolítico, incluindo as tensões envolvendo a Venezuela e a possível aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, também estiveram no radar. Outro ponto de atenção foi a expectativa pela decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a política tarifária do governo Donald Trump.
No setor empresarial, destaque para o anúncio de que Rio Tinto e Glencore estudam uma fusão capaz de criar a maior mineradora do mundo, com valor superior a US$ 260 bilhões. Com isso, as ações de mineração na Europa registraram avanço.
O IBGE informou que o IPCA fechou dezembro com alta de 0,33%, em linha com a mediana das projeções, após avanço de 0,18% em novembro. No acumulado do ano, o índice atingiu 4,26%, próximo da mediana de 4,27% e abaixo do teto da meta de 4,50%. Houve aceleração em alguns núcleos de inflação, segundo o BV. Os dados não devem alterar a expectativa de manutenção da Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Copom, embora economistas sigam divididos sobre o início do ciclo de queda dos juros.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o IPCA de dezembro não trouxe grandes surpresas e, por isso, não deve impactar a política monetária. A Ativa projeta início da redução da Selic a partir de abril e IPCA de 4% em 2026.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que o resultado do IPCA é positivo, mas requer análise criteriosa. "O número cheio mascara uma pressão ainda existente nos preços de serviços, principal foco do Copom", destacou.
No cenário externo, o payroll mostrou que a economia dos EUA criou 50 mil empregos em dezembro, abaixo da previsão de 60 mil. A taxa de desemprego caiu para 4,4%, ante 4,5% em novembro, enquanto o salário médio por hora subiu 0,33%, chegando a US$ 37,02.
Segundo Rafael Yamano, economista sênior da SulAmérica Investimentos, os dados do mercado de trabalho americano trouxeram sinais mistos: criação de vagas aquém do esperado e queda na taxa de desemprego. Yamano destaca que, atualmente, o nível de desocupação é mais relevante para o mercado, diante das incertezas sobre a imigração e o equilíbrio do payroll nos EUA.
Após a divulgação, o Ibovespa atingiu máxima de 0,64%, aos 163.987,16 pontos, ante mínima de 162.637,86 pontos (-0,18%) e abertura em 162.938,15 pontos. Às 11h22, a alta era de 0,35%, com o índice em 163.491,23 pontos.
Entre as ações de commodities, Vale recuava 1,12%, Petrobrás PN subia 0,13% e ON caía 0,25%. Papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, como Cogna (3,95%) e Vivara (3,43%), apresentavam ganhos.
No pregão anterior, o Ibovespa encerrou em alta de 0,59%, na máxima de 162.936,48 pontos.