Taxas de juros curtas avançam em pregão de baixa liquidez à espera do IPCA
Movimentação tímida marca o quarto dia seguido de liquidez reduzida; mercado aguarda dados de inflação no Brasil e payroll dos EUA nesta sexta-feira.
O pregão desta quinta-feira, 8, registrou o quarto dia consecutivo de baixa liquidez e pouca movimentação nos contratos de juros futuros negociados na B3. A produção industrial, considerada um dado defasado, veio exatamente em linha com as expectativas, apresentando variação nula em novembro, e teve impacto neutro sobre a curva a termo.
Na primeira parte da sessão, os trechos curtos da curva de juros mantiveram estabilidade, mas passaram a registrar máximas intradiárias por volta das 14h30. Mesmo assim, a alta não superou 4 pontos-base, com os investidores atentos à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao relatório oficial de empregos dos Estados Unidos (payroll), ambos previstos para esta sexta-feira, 8.
Os vértices intermediários e longos seguiram próximos aos ajustes anteriores. O leilão inaugural de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) para janeiro de 2037 pressionou a curva inicialmente, mas o efeito não se sustentou após o Tesouro reduzir a oferta de outros vencimentos para equilibrar o risco no mercado.
Ao final dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,681% para 13,725%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,994% para 13,010%. Em sentido oposto, o DI para janeiro de 2031 recuou de 13,346% para 13,32%.
Expectativa para o IPCA e payroll
"Amanhã teremos a publicação do IPCA e do payroll nos Estados Unidos, que deve mexer na parte da moeda. Sexta será o dia importante", afirma Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, ressaltando que não houve nenhum gatilho relevante para os DIs nesta quinta-feira.
Segundo um economista de uma grande tesouraria ouvido pela Broadcast, a elevação nos trechos mais curtos pode ter sido motivada por operadores se preparando para um resultado de inflação acima do esperado em dezembro. A mediana das projeções aponta alta de 0,33% no mês passado e de 4,27% no acumulado de 2025. "Até achamos que o dado vai ser bom, mas a alta dos DIs curtos pode ser gente com medo", comentou.
Bacelar acredita que o dado de janeiro terá mais peso para a precificação do mercado de juros futuros, já que pode trazer informações relevantes, como o impacto dos reajustes de mensalidades escolares e possíveis reduções nos preços da gasolina pela Petrobras.
Influência internacional perde força
Nos Estados Unidos, a curva dos Treasuries apresentou discreta abertura, corrigindo parte da queda da sessão anterior, mas sem grande impacto sobre as taxas brasileiras. Para Bacelar, os títulos americanos vêm perdendo força como referência para o mercado de renda fixa local, já que as questões domésticas devem liderar o movimento das taxas daqui para frente.
"Os Treasuries estão afetando menos os juros locais e isso deve continuar, porque temos uma dinâmica muito particular aqui. Há um debate sobre o nível do juro neutro, se o BC vai começar a cortar a Selic em janeiro ou março... os motivos internos são suficientes para que o mercado não precise pegar os Treasuries como referência", avalia. Segundo ele, há apenas 20% de chance de o Copom iniciar o ciclo de corte da Selic ainda neste mês, com 80% de probabilidade para a reunião de março.