ECONOMIA REGIONAL

ONU aponta resiliência no crescimento da América Latina e Caribe, mas destaca desafios estruturais

Relatório da ONU prevê avanço moderado do PIB até 2027, mas alerta para riscos globais e limitações internas na região.

Publicado em 08/01/2026 às 15:46
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A economia da América Latina e do Caribe deve seguir com crescimento resiliente no curto prazo, apesar de enfrentar riscos significativos no cenário internacional, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento, intitulado Situação e Perspectivas da Economia Mundial de 2026, foi divulgado nesta quinta-feira, 8, e destaca que a região se apoia em um consumo privado consistente e na recuperação gradual dos investimentos, mas enfrenta restrições estruturais que impedem avanços mais robustos.

De acordo com a ONU, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) regional cresça 2,4% em 2025, desacelerando levemente para 2,3% em 2026, com previsão de retomada para 2,5% em 2027. O relatório ressalta, no entanto, que esse ritmo de crescimento ainda é considerado insuficiente para promover melhorias significativas nos mercados de trabalho locais.

Os riscos negativos permanecem elevados, alerta a organização, citando a persistente incerteza em relação a políticas globais e a possibilidade de maior fragmentação do comércio internacional. Esses fatores podem aumentar a volatilidade macroeconômica na região. O relatório também ressalta os impactos desiguais de novas tarifas e de mudanças nas políticas de imigração dos Estados Unidos, que influenciam fluxos comerciais, cadeias de suprimentos e remessas.

No caso específico da Argentina, o relatório da ONU indica que as condições macroeconômicas se estabilizaram após a profunda recessão de 2023 e 2024. A projeção é de que o crescimento do país desacelere de 4,3% em 2025 para 3,8% em 2026, após uma recuperação considerada forte. O documento observa que o governo argentino avançou com um programa de estabilização baseado em consolidação fiscal, unificação cambial e política monetária mais restritiva, embora aponte que essas medidas tiveram um custo social significativo.

Para toda a região, o relatório enfatiza que a elevada dívida, o aumento dos custos de juros e o processo lento de desinflação continuam limitando o espaço para políticas monetárias e fiscais, tornando as economias mais vulneráveis a choques externos.