ONU prevê PIB europeu contido em 2026 diante de desafios externos e estruturais
Relatório da ONU aponta crescimento modesto na Europa, afetado por tarifas, incertezas geopolíticas e entraves internos.
O crescimento econômico da Europa deve continuar limitado em 2026, segundo o relatório "Situação e Perspectivas da Economia Mundial para 2026", divulgado nesta quinta-feira, 8, pela Organização das Nações Unidas (ONU). O documento destaca que fatores externos, como tarifas dos EUA e incertezas geopolíticas, somam-se a desafios estruturais persistentes, dificultando um avanço mais robusto do Produto Interno Bruto (PIB) europeu.
"Recentes acordos comerciais da União Europeia (UE) e do Reino Unido com os EUA reduziram a incerteza, mas também consolidaram níveis elevados de tarifas", ressalta o relatório.
De acordo com a ONU, os riscos para o cenário econômico europeu, tanto positivos quanto negativos, estão "amplamente equilibrados".
As projeções apontam que a UE deve crescer 1,5% em 2025, 1,3% em 2026 e 1,6% em 2027. Já o Reino Unido deve apresentar crescimento de 1,4% em 2025, desacelerando para 1,1% em 2026 e subindo levemente a 1,3% em 2027. Essa desaceleração ocorre em meio a uma política fiscal mais rígida e a atritos comerciais, fatores que restringem a atividade econômica. A inflação persistente também contribui para a manutenção de uma política monetária restritiva, segundo a avaliação da ONU.
Desempenho desigual e perspectivas para 2026
O relatório observa que alguns países da UE, como Polônia, Portugal e Espanha, devem sustentar um crescimento mais robusto até 2026, impulsionados pelo consumo doméstico resiliente e pela continuidade dos fundos de recuperação do bloco.
Apesar de indicadores recentes sugerirem ligeira melhora na atividade econômica do bloco no curto prazo, permanecem desafios estruturais significativos. Além disso, o desempenho entre as economias europeias segue desigual, com países voltados para o setor de serviços superando aqueles mais dependentes da manufatura.
Política monetária e juros
Em relação aos bancos centrais, a ONU prevê que o Banco Central Europeu (BCE) mantenha as taxas de juros "praticamente inalteradas" durante a maior parte de 2026, a não ser que haja desvios consideráveis das metas de inflação. Para o Banco da Inglaterra (BoE), a expectativa é de que eventuais ajustes sejam graduais e condicionados ao progresso em direção à meta de inflação de 2%.