ONU prevê crescimento moderado nos EUA, impulsionado por IA, mas alerta para riscos de tarifas
Relatório aponta avanço do PIB norte-americano até 2027, com destaque para investimentos em tecnologia e incertezas comerciais.
A economia dos Estados Unidos deve manter um crescimento moderado nos próximos anos, sustentada por consumo resiliente e forte investimento em tecnologia, mas cercada por incertezas associadas a tarifas comerciais, política fiscal e à possível acomodação dos gastos em inteligência artificial (IA). A avaliação consta do relatório Situação e Perspectivas da Economia Mundial de 2026, divulgado nesta terça-feira, 8, pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O órgão estima que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA desacelere para 1,9% em 2025, após registrar 2,8% em 2024, mas prevê retomada do fôlego econômico, com avanço de 2% em 2026. No relatório anterior, as projeções eram de 1,6% e 1,5%, respectivamente. Para 2027, a ONU antecipa continuidade da expansão, apoiada por políticas macroeconômicas mais favoráveis e pela resiliência da demanda doméstica, projetando crescimento do PIB de 2,2%.
No campo do investimento, a ONU destaca a infraestrutura relacionada à IA como um dos principais motores da formação de capital nos EUA, refletindo gastos elevados em equipamentos, software e data centers. Contudo, o relatório ressalta que parte desse movimento pode ter sido antecipado diante das incertezas comerciais, deixando o investimento "vulnerável a uma desaceleração temporária".
O documento também observa o impacto das tarifas implementadas ao longo de 2025. Segundo a ONU, essas medidas "criaram incerteza significativa, elevaram custos de comércio e pressionaram mercados", embora o impacto macroeconômico tenha sido mais moderado do que o inicialmente previsto.
No mercado de trabalho, a organização avalia que as condições permanecem "amplamente estáveis", mas observa sinais de moderação na criação de vagas e no crescimento dos salários. Já o setor habitacional segue contido, pressionado por custos elevados e taxas de juros ainda acima dos níveis pré-pandemia.