Perspectiva econômica global segue incerta diante de desafios fiscais e tensões geopolíticas
Organização das Nações Unidas aponta incertezas macroeconômicas, riscos financeiros e crescimento abaixo do pré-pandemia até 2027
As perspectivas para a economia global continuam incertas, impulsionadas por incertezas macroeconômicas persistentes, mudanças nas políticas comerciais e desafios fiscais, segundo o relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas para 2026, divulgado nesta quinta-feira (8) pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“As tensões geopolíticas e os riscos financeiros aumentam essas pressões, tornando a economia global fragilizada”, avalia o relatório. Apesar do choque tarifário previsto para 2025, a ONU destaca que a atividade econômica global demonstrou resiliência.
De acordo com a ONU, em 2025, a economia contou com embarques antecipados, acúmulo de estoques e gastos sólidos dos consumidores, favorecidos pela flexibilização monetária e por mercados de trabalho “amplamente estáveis”. “Espera-se que o apoio contínuo da política macroeconômica amorteça o impacto das tarifas mais altas, mas o crescimento do comércio e da atividade geral provavelmente se moderarão no curto prazo”, pondera a organização.
A ONU projeta que o crescimento econômico global, estimado em 2,8% para 2025, deve recuar ligeiramente para 2,7% em 2026, antes de acelerar para 2,9% em 2027 — ainda abaixo do patamar pré-pandemia, de 3,2%. Para Europa, Japão e Estados Unidos, a expectativa é de estabilidade, com crescimento em ritmo moderado, sustentado por políticas monetárias e fiscais.
Grandes economias em desenvolvimento, como China, Índia e Indonésia, devem manter crescimento robusto, impulsionadas por demanda interna resiliente ou medidas políticas específicas. No entanto, a ONU alerta que as perspectivas permanecem menos favoráveis para países de baixa renda e considerados vulneráveis.