Irlanda anuncia voto contrário a acordo UE-Mercosul às vésperas de decisão
Posicionamento irlandês amplia incertezas sobre aprovação do tratado comercial; França resiste e Alemanha busca apoio italiano.
O governo da Irlanda confirmou que votará contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul na reunião decisiva marcada para esta sexta-feira, 9. O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, reconheceu que houve "enormes progressos" nas negociações, mas afirmou que ainda não há garantias suficientes de que os agricultores irlandeses não sofrerão pressão econômica excessiva caso o tratado seja ratificado.
A decisão da Irlanda ocorre na véspera de uma data considerada "marco relevante" pelo governo brasileiro para o futuro do pacto.
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, declarou que a reunião desta sexta-feira, em Bruxelas, será determinante para definir os próximos passos. "A gente não vai cravar uma data, mas a partir daí a gente vai ter mais clareza", afirmou, lembrando a carta enviada pela Comissão Europeia ao presidente Lula, na qual foi prometida a assinatura do acordo para janeiro.
Cenário dividido
A votação de sexta-feira será um teste para a coesão do bloco europeu. Enquanto a Irlanda formaliza sua oposição e a França enfrenta protestos massivos de agricultores — com a federação FNSEA exigindo "Stop Mercosul" e bloqueando estradas —, a Alemanha trabalha para reunir a maioria necessária.
O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, declarou na quarta-feira estar "muito confiante" de que a Itália apoiará o acordo.
O apoio de Roma é considerado fundamental para contrabalançar a resistência francesa e garantir a maioria qualificada exigida para que a Comissão Europeia possa assinar o tratado, possivelmente já na próxima semana.