Ações da Azul recuam mais de 90% em cinco dias; entenda o que está acontecendo
Em meio à reestruturação financeira e à recuperação judicial nos EUA, papéis da companhia aérea despencam após emissão massiva de ações.
A Azul enfrenta uma forte desvalorização de suas ações em meio ao processo de reestruturação financeira. Na manhã desta quinta-feira (8), os papéis da companhia caíam 58%, sendo negociados a R$ 100. O recuo acumulado nos últimos cinco dias chega a 94%.
Essa queda já era esperada pelo mercado financeiro, uma vez que a empresa ofertou R$ 7,44 bilhões em novas ações como parte do plano de reestruturação.
No total, foram emitidas 723,9 bilhões de ações preferenciais (sem direito a voto, mas com prioridade no recebimento de dividendos) e 723,9 bilhões de ações ordinárias (com direito a voto).
Apesar do grande volume de emissão, o valor de mercado da Azul permanece inalterado, já que o número de ações em circulação aumentou significativamente. Isso levou muitos acionistas a venderem seus papéis para reequilibrar suas posições.
De acordo com Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, a operação representa uma forte diluição, com emissão de ações a preços simbólicos. "A troca de dívida por equity sinaliza estresse financeiro, não crescimento", afirma. "O aumento de capital melhora a estrutura de capital, mas beneficia os credores, não os acionistas."
A Azul está em recuperação judicial nos Estados Unidos (chapter 11) desde maio do ano passado. O plano de reestruturação, aprovado pela Justiça norte-americana em dezembro, com aval de mais de 90% das classes de credores elegíveis, prevê justamente essa diluição dos acionistas minoritários.
Com a reorganização acionária, quem já era acionista da Azul viu seus papéis perderem valor, enquanto os credores passaram a receber ações da empresa.
A companhia aérea pretende encerrar o processo de recuperação judicial ainda no início deste ano. Procurada, a Azul não comentou o assunto.