TRIBUNAL DE CONTAS

TCU suspende inspeção monocrática no Banco Central e leva decisão ao plenário

Medida havia sido determinada pelo ministro Jhonatan de Jesus no âmbito da liquidação do Banco Master. Plenário do TCU decidirá sobre continuidade da inspeção.

Publicado em 08/01/2026 às 13:09
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, decidiu nesta quinta-feira (8) suspender a inspeção in loco no Banco Central. A medida, que havia sido determinada por ele próprio durante a apuração sobre a liquidação do Banco Master, agora será submetida ao plenário da corte de contas.

A decisão atende a um pedido do próprio Banco Central. Nesta semana, a autoridade monetária apresentou recurso ao TCU, argumentando que o ministro não poderia determinar a inspeção de forma monocrática. No embargo de declaração — um pedido de esclarecimento com efeito suspensivo —, o BC sustentou que a ação exigiria aprovação do colegiado do tribunal.

Relator do caso, Jhonatan de Jesus afirmou em seu despacho que o regimento do TCU lhe confere competência para determinar inspeções como "providência instrutória". Ele destacou que poderia rejeitar o recurso do BC individualmente, mas considerou que a repercussão do caso exige apreciação pelo plenário para evitar instabilidade institucional.

"Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria", justificou o ministro.

Jhonatan de Jesus acrescentou ainda que o despacho questionado pelo BC deixou claro que a inspeção teria caráter apenas instrutório, sendo necessária para que técnicos do TCU tivessem acesso a documentos sigilosos. "Eventual inconformismo quanto ao conteúdo decisório — inclusive quanto à extensão do controle externo sobre o Banco Central — não se confunde com vício sanável por embargos de declaração", afirmou.