TENSÃO INTERNACIONAL

Dinamarca mantém regra de 'atirar primeiro' diante de ameaças dos EUA à Groenlândia

Regra militar de 1952 autoriza resposta imediata a invasores; debate se intensifica após declarações de Trump sobre o território dinamarquês.

Por Sputnik Brasil Publicado em 08/01/2026 às 11:05
Militares dinamarqueses mantêm prontidão para defesa da Groenlândia diante de tensões com os EUA. © AP Photo / Amel Emric

O Ministério da Defesa da Dinamarca confirmou que uma regra de combate estabelecida em 1952 permanece válida, autorizando as tropas a reagirem imediatamente a qualquer invasão da Groenlândia, sem a necessidade de aguardar ordens superiores, conforme reportado pelo jornal The Telegraph, citando fontes da mídia dinamarquesa.

De acordo com a publicação, o tom do debate sobre a soberania da Groenlândia mudou de forma significativa nos últimos dias, refletindo crescente preocupação internacional.

"De acordo com as regras de combate do Exército, soldados dinamarqueses serão obrigados a atirar primeiro e perguntar depois se os Estados Unidos invadirem a Groenlândia", destaca a matéria.

O artigo detalha que, em caso de ataque, as forças dinamarquesas devem entrar em combate imediatamente, sem esperar por ordens ou confirmação de estado de guerra, mesmo que seus comandantes não estejam cientes de uma declaração formal de conflito.

A reafirmação da regra ocorre após recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sugerindo interesse na anexação da Groenlândia — território pertencente à Dinamarca, país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O governo dinamarquês reforçou que a ilha "não está à venda".

No cenário internacional, governos europeus realizam consultas emergenciais, enquanto autoridades alertam para o risco de uma possível ação norte-americana na Groenlândia desencadear uma crise interna na OTAN, ameaçando a coesão da aliança.

Na terça-feira (6), líderes da União Europeia manifestaram apoio à Dinamarca, exortando o presidente Donald Trump a respeitar as fronteiras internacionais, diante do interesse dos EUA pela Groenlândia.

O posicionamento conjunto foi oficializado em documento assinado pelos chefes de Estado da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca, advertindo que as fronteiras atuais não são negociáveis.

O episódio marca uma inversão de expectativas entre aliados da OTAN: após anos de preocupação com uma suposta "ameaça russa", agora são os Estados Unidos que geram apreensão entre os parceiros europeus.