ECONOMIA

Queda dos índices de ações no exterior e do minério limita alta do Ibovespa por petróleo

Publicado em 08/01/2026 às 11:29
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A desvalorização dos índices de ações do ocidente somada ao recuo de 0,37% do minério de ferro em Dalian, na China, impede alta robusta do Ibovespa, na esteira do petróleo. A commodity avançava quase 1,90% na manhã desta quinta-feira, 9. Ao mesmo tempo, os desdobramentos do caso Master seguem no radar.

Investidores avaliam a estabilidade na produção industrial de novembro, reforçando desaquecimento da atividade, ao mesmo tempo em que adotam certo compasso de espera pelas divulgações da sexta-feira, 9. No Brasil, sairá o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e fechado de 2025. Nos Estados Unidos, o foco é o payroll, o relatório do mercado de trabalho do mês passado.

Também prossegue no radar a crise geopolítica entre EUA e Venezuela.

Depois de invadir o país e levar à força para Nova York o presidente Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça tomar a Groenlândia e intervir na Colômbia. Há relatos de que o governo Trump planeja uma iniciativa abrangente para dominar a indústria petrolífera venezuelana nos próximos anos.

A despeito do recuo das bolsas no exterior, ações do setor de defesa sobem, após Trump afirmar que o orçamento militar americano subirá para US$ 1,5 trilhão em 2027.

Segundo Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, as incertezas geopolíticas continuam sendo monitoradas, diante das dúvidas sobre o impacto mundial. "Há receio quanto aos planos de Trump. Nunca sabemos se o que temos hoje será alterado em se tratando de Trump. A tensão geopolítica pode mudar de uma hora para a outra", diz.

Apesar da cautela com a crise geopolítica, os mercados esperam com certa expectativa o primeiro payroll em dia, depois que a paralisação governamental mais longa da história dos Estados Unidos adiou os relatórios de setembro e novembro, com divulgação apenas parcial dos dados de outubro de 2025.

Conforme Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o resultado do indicador pode ter pouca influência nas apostas de manutenção dos juros americanos na decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) neste mês, a não ser que venha um dado "absurdo" em relação ao esperado.

O que pode acontecer, segundo Cima, é o payroll mexer com as estimativas para o ciclo total de retração dos juros nos EUA em 2026. "Por ora, as estimativas indicam dois cortes mas a depender do resultado, o mercado pode incorporar três quedas", estima. Além disso, o nome do novo presidente do Fed, que ficará no lugar de Jerome Powell, esperado para ser anunciado neste mês por Trump, pode mexer com as expectativas para a política monetária do país.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial ficou estável em novembro ante outubro. O dado coincidiu com a mediana das estimativas. Já ante novembro de 2024, caiu 1,2%, na comparação com mediana de queda de 0,5% das projeções (-3,3% a alta de 2%).

O resultado da produção não deve alterar as expectativas de manutenção da taxa Selic e 15% ao ano no Comitê de Política Monetária (Copom) neste mês, apesar do viés de alta dos juros futuros nesta manhã.

O comportamento das taxas reflete a alta dos rendimentos dos Treasuries e do dólar ante várias moedas, inclusive o real, após a divulgação de indicadores econômicos americanos referentes ao comércio e ao desemprego.

Sobre o Banco Master, o ministro-relator do caso no Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve recuar da inspeção in loco no Banco Central. Pelo menos, até o fim do período de recesso da Corte - que só retorna aos trabalhos no próximo dia 16.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,03%, aos 161.975,24 pontos.

Às 11h21 desta quinta, o Índice Bovespa subia 0,08%, aos 162.109,97 pontos, ante abertura em 161.974,84 pontos, em queda de 0,01%, e mínima aos 161.747,71 pontos (-0,14%) e máxima aos 162.634,40 pontos (alta de 0,41%).

Petrobras subia entre 0,54% (PN) e 0,71% (ON), enquanto Vale cedia 1,49%. Entre grandes bancos, Unit de Santander (0,54%) e Itaú Unibanco PN (0,64%) subiam. Já Banco do Brasil (-0,09%) e Bradesco (PN: -1,02% e ON: -0,69%) caíam.