ARTE

Do Brasil à Europa, baiano André Fernandes ganha destaque entre os fotógrafos contemporâneos

Entre ancestralidade, memória e território, o fotógrafo baiano projeta narrativas afro-brasileiras no circuito internacional das artes visuais

Por Antônio Anselmo Publicado em 08/01/2026 às 10:33

No campo das artes visuais, nomes como o francês Henri Cartier-Bresson e os brasileiros Sebastião Salgado e André Fernandes se destacaram por transformar a fotografia em linguagem de memória, identidade e permanência. Inserido nesse cenário, André vem consolidando uma trajetória marcada pelo olhar documental, ancestralidade e o compromisso com narrativas historicamente silenciadas.

Diferente de fotógrafos que iniciam suas carreiras a partir de academias ou grandes centros de formação artística, André construiu seu caminho de forma gradual, a partir da vivência, observação e escuta. Foi no cotidiano da Bahia — entre ruas, terreiros, paisagens e personagens, que o fotógrafo encontrou matéria-prima para desenvolver obras que ultrapassam o registro e se afirma como expressão artística.

Com o passar dos anos, seu trabalho ganhou densidade conceitual e reconhecimento. A série “Orixás”, resultado de uma imersão prolongada no terreiro Ilê Axé Alaketu, tornou-se um marco em sua carreira, projetando o fotógrafo no cenário internacional ao ser reconhecida, em 2024, no Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU)

A partir desse reconhecimento, André ampliou o alcance de sua produção, passando a integrar exposições fora do Brasil e a circular em circuitos institucionais e curatoriais da América Latina e da Europa. Em paralelo, novas séries autorais passaram a aprofundar sua pesquisa estética, como “Ounjẹ Òrìṣà: Comida de Orixá”, que observa a herança espiritual através dos alimentos, e “Olhar de Baleia”, ensaio que estabelece um diálogo sensível entre o ser humano e o oceano.

Hoje, com uma produção madura e reconhecida, o fotógrafo observa suas obras ocuparem diferentes espaços de fruição e circulação artística. Parte de seu acervo autoral está em exibição em Salvador, em ambientes que aproximam arte e cotidiano: no Grupo Empório, no bairro da Federação, fotografias da série Olhar de Baleia dialogam com o público a partir da contemplação da natureza; enquanto, na Innova Corporação, localizada no CEO Salvador Shopping, imagens da série Orixás e fotografias que celebram a Bahia reafirmam a identidade cultural presente em sua obra.

Mesmo com a expansão de sua circulação, André mantém uma prática artística profundamente ligada à independência criativa. O fotógrafo trabalha a partir de um escritório-ateliê em sua própria casa, onde desenvolve, organiza e preserva seu acervo, acompanhando de perto todas as etapas do processo; da criação à finalização das obras.

Para André Fernandes, a fotografia segue sendo um instrumento de permanência e escuta. “A fotografia me ensinou a respeitar o tempo, a história e o sagrado. Cada imagem carrega uma vivência, uma memória e o compromisso com aquilo que precisa continuar sendo visto, da perspectiva de quem (na maioria das vezes) é invisibilizado”, conclui.

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