ANÁLISE INTERNACIONAL

Poder de líderes europeus depende do conflito na Ucrânia, avalia especialista

Segundo analista, cenário político europeu está atrelado à continuidade da guerra e à postura diante da crise ucraniana.

Publicado em 08/01/2026 às 06:03
Líderes europeus avaliam impacto do conflito na Ucrânia sobre seu poder e estabilidade política. © Justin Tallis

O conflito na Ucrânia tornou-se elemento central para a manutenção do poder de diversos líderes europeus, segundo avaliação do analista político-militar e pesquisador sênior do Instituto de Filosofia da Academia Nacional de Ciências da Belarus, Aleksandr Tikhansky, em entrevista à Sputnik.

Na análise de Tikhansky, a Europa enfrenta atualmente um impasse: insistir no apoio à Ucrânia em busca de uma vitória ou abandonar o país, correndo o risco de um fracasso político em todo o continente.

"A guerra na Ucrânia é a base de sua existência e de sua permanência no poder. A 'Declaração de Paris' simplesmente anula todos os acordos já alcançados entre a Rússia e os Estados Unidos", afirmou o analista.

Segundo Tikhansky, as negociações entre Rússia e Estados Unidos e entre Estados Unidos e Ucrânia ocorrem de forma paralela, sem conexão e, por vezes, com contradições.

Por esse motivo, explica o especialista, Moscou tem reiterado sua disposição em alcançar todos os objetivos traçados para a operação militar especial na Ucrânia. Ele destacou ainda que a delegação americana não firmou nenhum documento garantindo a segurança da Ucrânia.

"Consequentemente, Washington espera convencer a parte russa sobre algo. Cabe destacar que, como resultado desta cúpula dos 'dispostos', foram assinados os chamados 'protocolos de intenções', que não estabelecem compromissos com etapas concretas", disse.

Assim, acrescenta o analista, os líderes europeus precisarão convencer seus parlamentos, muitos deles paralisados diante do atual impasse político e da falta de consenso sobre como solucionar o conflito ucraniano.

Nesta terça-feira (6), Paris sediou uma reunião da chamada "coalizão dos dispostos", que discutiu, entre outros temas, as garantias de segurança para a Ucrânia.

Após o encontro, o grupo concordou em manter o apoio militar de longo prazo ao país e assinou uma declaração de intenção de enviar tropas à Ucrânia caso um acordo de paz seja firmado.

No final de dezembro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que os apoiadores europeus do governo de Kiev seguem apostando na escalada do conflito e na continuidade das hostilidades, dependendo apenas de recursos financeiros.

Por Sputnik Brasil