GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Êxitos russos na Ucrânia e ameaça dos EUA à Groenlândia podem abalar OTAN, avalia analista

Cientista político John Mearsheimer aponta que avanços russos na Ucrânia e tensões sobre a Groenlândia colocam em risco a coesão da aliança militar ocidental.

Publicado em 08/01/2026 às 03:18
Tensões entre Rússia, Ucrânia e EUA ameaçam estabilidade e futuro da OTAN, segundo analista. © AP Photo / Olivier Matthys

Diante do aumento das tensões internacionais nos últimos dias, a situação na Ucrânia pode colocar em xeque a própria existência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), segundo avaliação do cientista político norte-americano John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago.

Mearsheimer destacou que o futuro da OTAN está diretamente relacionado ao desfecho do conflito ucraniano.

"Muitos já haviam dito anteriormente que, se a Rússia obtiver a vitória na Ucrânia, o que certamente acontecerá, isso causará sérios danos à OTAN", ressaltou.

De acordo com o analista, a conjuntura atual na Ucrânia, somada à ameaça de uma possível invasão dos Estados Unidos à Groenlândia, prejudica ainda mais a aliança militar ocidental.

Para Mearsheimer, essa combinação representa um risco potencialmente fatal para a sobrevivência da organização.

No domingo (4), após a operação militar na Venezuela, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou interesse em adquirir a Groenlândia, ressaltando a importância estratégica da ilha para a segurança nacional norte-americana.

Em resposta, o embaixador da Dinamarca em Washington, Jesper Moller Sorensen, reafirmou os laços de aliança com os EUA e cobrou respeito à integridade territorial do reino dinamarquês.

O ex-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, declarou que a ilha não está à venda. Apesar disso, Trump se recusou a garantir que não usaria força militar para assumir o controle do território.

A Groenlândia permaneceu como colônia dinamarquesa até 1953 e, desde então, integra o Reino da Dinamarca. Em 2009, conquistou autonomia, passando a ter autogoverno e o direito de definir sua política interna.


Fonte: Sputnik Brasil