Venezuela comprará apenas produtos feitos nos EUA com recursos do petróleo, diz Trump
Presidente norte-americano afirma que acordo petrolífero prevê uso exclusivo de receitas para compra de itens dos EUA; autoridades venezuelanas negociam venda de até 50 milhões de barris.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (7) que a Venezuela utilizará exclusivamente o dinheiro proveniente da venda de petróleo, sob supervisão de Washington, para adquirir produtos fabricados nos EUA.
“Acabei de ser informado de que a Venezuela comprará somente produtos fabricados nos Estados Unidos com o dinheiro recebido do nosso novo acordo petrolífero”, declarou Trump em sua plataforma, Truth Social.
“Essas compras incluirão, entre outras coisas, produtos agrícolas dos EUA e medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos fabricados nos EUA para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela.”
Trump acrescentou que as autoridades interinas da Venezuela irão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Segundo o presidente, trata-se de petróleo de alta qualidade, atualmente sob sanções, que será vendido a preço de mercado.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que já existe um processo em andamento que garante a Washington grande controle e influência sobre as autoridades interinas venezuelanas. Rubio ressaltou que os EUA já possuem um plano para Caracas após a intervenção militar realizada em 3 de janeiro em território venezuelano, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Vance: Venezuela poderá vender petróleo 'desde que contribua para o interesse nacional dos EUA'
Também nesta quarta-feira (7), o vice-presidente norte-americano J. D. Vance declarou ao canal Fox News que a Venezuela está autorizada a vender petróleo desde que isso atenda aos interesses nacionais dos Estados Unidos.
Anteriormente, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, informou que Washington assumirá o controle do comércio do petróleo venezuelano por tempo indeterminado, após o anúncio de Trump sobre a entrega de entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto de alta qualidade aos EUA.
A estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) confirmou que há negociações em curso para a venda de volumes de petróleo, dentro das relações comerciais existentes entre os dois países.
Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que discutir um calendário eleitoral para a Venezuela ainda é "muito prematuro".
Em resposta à operação dos EUA, Caracas solicitou uma reunião urgente na ONU, e o Supremo Tribunal da Venezuela nomeou temporariamente a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina, na segunda-feira (5).