Vazamento de fluido leva ONGs a questionar segurança de perfuração da Petrobras no Amapá
Organizações ambientais pedem suspensão imediata das atividades após derramamento de 15 mil litros de fluido no mar durante operação na Foz do Amazonas.
Organizações ambientais e movimentos sociais protocolaram um pedido de tutela antecipada na Justiça Federal do Amapá para anular a licença de perfuração da Petrobras no bloco FZA-M-59, situado na bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá.
A solicitação pede a suspensão imediata das atividades da Petrobras, especialmente após o vazamento de fluido de perfuração ocorrido no domingo, 4, durante a exploração do poço Morpho.
Assinam a petição o Instituto Arayara, Greenpeace Brasil, WWF-Brasil, Observatório do Clima, além das principais articulações indígenas e quilombolas do país, como a Apib e a Conaq.
Segundo as organizações, o incidente resultou no despejo de 15 mil litros de fluido de perfuração no mar, a uma profundidade de 2.700 metros. Para as entidades, o episódio evidencia a insuficiência das garantias de segurança apresentadas pela Petrobras.
A Petrobras afirma que o fluido utilizado é biodegradável e que vazamentos desse tipo são comuns na indústria, não causando impactos ambientais relevantes.
A exploração do poço Morpho foi interrompida após o incidente e deve ser retomada em até 15 dias. A empresa, no entanto, não divulgou o volume exato derramado.
As organizações destacam que o fluido vazado, frequentemente minimizado pela indústria, é uma mistura complexa de produtos químicos e gases com potencial impacto ambiental direto. Os autores ressaltam que acidentes em águas profundas, como na Margem Equatorial brasileira, correspondem a mais de 95% dos registros em plataformas entre 1975 e 2014.
A ação civil pública também questiona a validade do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) utilizado para liberar a atividade, alegando que o documento não prevê respostas adequadas para emergências em uma região de fortes correntes marítimas. Além disso, as organizações denunciam a ausência de consulta prévia e informada aos povos indígenas e quilombolas, requisito legal para empreendimentos com potencial impacto em seus territórios.
Ao solicitar a suspensão da Licença de Operação, o Instituto Internacional Arayara e demais entidades invocam o "princípio da precaução", com o objetivo de evitar danos ambientais irreversíveis enquanto persistem lacunas técnicas no licenciamento. A decisão sobre a interrupção das atividades cabe agora à 1ª Vara Federal Cível do Amapá.