TENSÃO INTERNACIONAL

Zakharova critica declaração dos EUA sobre operação 'sem derramamento de sangue' na Venezuela

Porta-voz russa questiona narrativa norte-americana e aponta mortes de venezuelanos e cubanos durante ação militar.

Publicado em 07/01/2026 às 11:23
Maria Zakharova, porta-voz russa, critica operação militar dos EUA na Venezuela e questiona narrativa de 'ação sem sangue'. © Sputnik / Stanislav Krasilnikov

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, manifestou nesta quarta-feira (7) surpresa diante da afirmação dos Estados Unidos de que sua operação militar na Venezuela teria ocorrido 'sem derramamento de sangue'. Zakharova destacou que dezenas de venezuelanos e cubanos morreram durante a ação.

"O que você quer dizer com 'ninguém morreu'? E os cidadãos da Venezuela e de Cuba, não são pessoas? Eu tenho uma pergunta: em que dimensão estamos vivendo? Quero uma resposta", questionou Zakharova em declaração oficial.

A diplomata russa também lembrou que, recentemente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enviou felicitações natalinas ao ministro russo Serguei Lavrov. Na ocasião, Zakharova aproveitou para cobrar esclarecimentos sobre as declarações do Departamento de Estado a respeito da operação na Venezuela.

"Quando os EUA dizem que esta suposta operação foi sem derramamento de sangue, isso significa que eles não consideram os cidadãos da Venezuela e de Cuba pessoas? Quem lhes deu esse direito? Quem lhes deu o direito de não ver as consequências sangrentas que eles mesmos causaram, que resultaram de suas ações?", afirmou Zakharova à agência Sputnik.

Zakharova ainda criticou a Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que a instituição também falhou ao não avaliar adequadamente a perda de vidas.

"O que é surpreendente é que, assim como não veem as vítimas do recente ataque de Ano Novo a um café na região de Kherson, assim como não viram, durante muitos anos, o Beco dos Anjos ou as vítimas das minas de Lepestok [PFM-1], da mesma forma não viram os cidadãos da Venezuela e de Cuba que morreram lá. São dezenas de pessoas em 42 minutos", ressaltou.

As declarações de Zakharova foram motivadas por publicação do The Washington Post, que, citando autoridades não identificadas, informou que mais de 70 pessoas foram mortas durante a operação militar dos EUA na Venezuela, em 3 de janeiro.

O presidente norte-americano, Donald Trump, já havia demonstrado pesar pelo elevado número de mortos em decorrência da ação militar norte-americana no país sul-americano.

No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque de grande escala à Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. Trump anunciou que ambos seriam julgados por suposto envolvimento em "narcoterrorismo" e por representarem ameaça à segurança dos EUA.

Em resposta, o governo de Caracas solicitou uma reunião de emergência da ONU sobre a operação. O Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu oficialmente como presidente interina perante a Assembleia Nacional em 5 de janeiro.

Rússia, China e Coreia do Norte condenaram veementemente as ações dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou solidariedade ao povo venezuelano e pediu a libertação imediata de Maduro e sua esposa, além de alertar para a necessidade de evitar a escalada do conflito.

Por Sputnik Brasil