Crédito consignado: qual é o novo limite com o reajuste do salário mínimo?
Novo piso de R$ 1.621 eleva o teto das parcelas para aposentados, pensionistas e trabalhadores com carteira assinada; veja como fica
O aumento do salário mínimo, que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano, de R$ 1.518 para R$ 1.621, elevou automaticamente o teto das parcelas do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e trabalhadores com carteira assinada que utilizam essa modalidade de empréstimo.
No caso dos aposentados e pensionistas que recebem um salário mínimo, a legislação permite comprometer até 35% do valor do benefício com empréstimos consignados. Com o reajuste, a margem consignável passará para R$ 569,45, um aumento de R$ 38,15 por parcela.
A lógica se estende aos trabalhadores formais que contratam o Crédito do Trabalhador, modalidade em que as parcelas são descontadas automaticamente do salário, conforme as regras de cada convênio de consignação firmado entre empresas e instituições financeiras.
Mesmo com o impacto direto no orçamento, a maioria dos brasileiros ainda desconhece as mudanças. Pesquisa realizada pela fintech meutudo com 4.532 participantes aponta que 56% nunca ouviram falar sobre a nova margem consignável, enquanto 8% afirmam já ter ouvido o termo, mas não sabem como ele funciona. Apenas 36% dizem estar bem informados sobre o tema.
Para especialistas da fintech, o reajuste do piso pode aliviar a pressão sobre famílias endividadas no início do ano. “A nova margem chega em um momento em que muitos beneficiários estão com o orçamento comprometido. Mesmo um aumento pequeno já faz diferença para quem precisa reorganizar as contas e começar o ano com mais fôlego”, afirma Marcio Feitoza, CEO da meutudo.
Ele reforça, no entanto, que o aumento do limite não deve ser interpretado como renda adicional. “O consignado não é dinheiro extra. Antes de contratar, aposentados e trabalhadores CLT precisam avaliar taxas de juros, prazos e se a parcela cabe no orçamento sem comprometer despesas essenciais”, diz Feitoza.
A expectativa é de aumento na procura por crédito consignado nos primeiros meses de 2026, impulsionada tanto pelo reajuste da renda quanto pela necessidade de reorganização financeira. Dados do Portal da Transparência Previdenciária mostram que havia 44,4 milhões de contratos ativos de crédito consignado vinculados ao INSS até abril de 2025, o que reforça o peso dessa modalidade no orçamento de aposentados e pensionistas.