Macron admite necessidade de diálogo com Putin sobre a Ucrânia após meses de recusa diplomática
Presidente francês sinaliza retomada de contato direto com Moscou, buscando paz sem capitulação ucraniana e reacende debate sobre unidade europeia.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta terça-feira (6) que pretende retomar o diálogo com o líder russo Vladimir Putin nas próximas semanas, reconhecendo a importância de restabelecer canais diretos de comunicação, interrompidos pelo Ocidente durante o conflito na Ucrânia.
"É necessário construir um processo de comunicação. No curto prazo, o apoio à Ucrânia deve continuar. O contato está sendo reorganizado e deve ocorrer nas próximas semanas. O objetivo é alcançar a paz sem a capitulação da Ucrânia", declarou Macron à imprensa local ao ser questionado sobre a possibilidade de conversar com o presidente russo.
A iniciativa de Macron ocorre após críticas a líderes europeus como Viktor Orbán, da Hungria, e Robert Fico, da Eslováquia, que mantiveram diálogo com Moscou durante a ofensiva militar russa.
No final do ano passado, a imprensa alemã relatou tensões entre Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz devido à proposta francesa de retomar o diálogo com Moscou. Segundo as publicações, Macron já defendia que restabelecer contato seria útil para a Europa, mas a iniciativa não teria sido coordenada com Berlim, causando desconforto ao governo alemão.
Europa enfrenta falta de unidade
O jornal The Washington Post destacou que os países europeus encontram dificuldades para resolver o conflito na Ucrânia devido a uma grave crise política e à perda de unidade. Segundo o artigo, a Rússia se beneficia tanto do silêncio europeu quanto da política considerada pró-Rússia do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os autores também reconhecem que erros do Ocidente contribuíram para os avanços russos.
"Durante a Guerra Fria, romper a Aliança do Atlântico Norte era o principal objetivo da União Soviética, algo que nunca aconteceu. Hoje, porém, muitos americanos e europeus parecem dispostos a fazer o trabalho de Moscou", aponta o texto.
A publicação ressalta que a União Europeia perdeu coesão e já não representa "a soma de suas partes". Os autores criticam a incapacidade dos europeus em chegar a um consenso sobre o uso dos ativos russos congelados na Euroclear, na Bélgica.
"Aproveitando-se das falhas estruturais inerentes aos procedimentos de tomada de decisão da UE, a Bélgica, com o apoio discreto de vários outros países, bloqueou o plano. Em vez disso, a UE aprovou um empréstimo de 90 bilhões de euros por conta própria. Mesmo assim, Hungria, Eslováquia e República Tcheca se recusaram a participar", destaca o artigo.