TENSÃO GEOPOLÍTICA

Brasil eleva tom e classifica captura de Maduro como 'sequestro'

Na OEA, país declarou que ação militar 'ultrapassou a linha do aceitável'

Por Redação ANSA Publicado em 06/01/2026 às 20:11
Na OEA, país declarou que ação militar 'ultrapassou a linha do aceitável ' © ANSA/AFP

Em uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, a diplomacia brasileira subiu o tom em relação à crise na Venezuela e classificou como "sequestro" a operação em que militares americanos capturaram Nicolás Maduro.

"O bombardeio e o sequestro do presidente são inaceitáveis e representam uma ameaça à comunidade internacional. É um sequestro que ultrapassa a linha do aceitável", afirmou o embaixador do Brasil junto ao órgão hemisférico, Benoni Belli.

Até então, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e diplomatas brasileiros vinham se referindo aos fatos do sábado passado (3) como "captura".

O tom do discurso desta terça-feira, em Washington, foi mais enérgico do que o apresentado pelo Brasil na sessão do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York. No momento, Lula estaria tentando manter uma conversa com seu homólogo dos EUA, Donald Trump, no âmbito da reaproximação diplomática entre o Planalto e a Casa Branca.

"Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso", acrescentou Belli.

O diplomata disse que, nesse contexto marcado pelo aumento da tensão hemisférica, o governo brasileiro está "determinado a atuar pela preservação do patrimônio regional da paz".

Antes da fala do brasileiro, o embaixador americano na OEA, Leandro Rizzuto, afirmou que a operação favoreceria o "avanço democrático" em Caracas.

"Os Estados Unidos não invadiram a Venezuela. Essa foi uma ação bem direcionada para retirar um campo conspirador", afirmou Rizzuto.

A tese do representante do governo Trump foi rebatida pelo colega brasileiro, que classificou o desdobramento militar americano como um dos "piores momentos de interferência na América Latina".