MIGRAÇÃO E POLÍTICA INTERNACIONAL

Nunes espera redução no fluxo de venezuelanos, mas garante acolhimento em São Paulo

Prefeito afirma que capital está pronta para receber imigrantes, mas acredita que saída de Maduro pode diminuir migração

Publicado em 06/01/2026 às 09:12
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (5) que espera que venezuelanos não voltem a migrar para a capital paulista, após a captura do ditador Nicolás Maduro em uma ação militar dos Estados Unidos. Apesar disso, Nunes garantiu que a cidade seguirá acolhendo imigrantes caso haja necessidade.

“Espero que não venham, até porque agora eles não têm necessidade. Se vierem, obviamente, a cidade de São Paulo e o Estado de São Paulo vão receber a todos com muito carinho, como sempre fizeram”, declarou Nunes, ao comentar o cenário político na Venezuela.

A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em um evento de entrega de títulos de regularização fundiária urbana da CDHU, que contou com a presença do governador em exercício Felicio Ramuth (PSD).

Segundo o prefeito, a expectativa é de que a saída de Maduro reduza o fluxo migratório. “A nossa expectativa agora é que diminua a necessidade de que as pessoas fujam dos seus países”, disse Nunes, ao ressaltar que o presidente venezuelano exercia o cargo de forma ilegítima após fraude eleitoral. Ele lembrou ainda que mais de 8 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos.

Atualmente, São Paulo acolhe 1.009 venezuelanos em sua rede de atendimento, informou o prefeito. De acordo com Nunes, os angolanos representam hoje o maior grupo de estrangeiros acolhidos na cidade, seguidos pelos venezuelanos. “Se vierem, a gente vai absorver”, destacou. “Hoje nós temos 27 mil vagas e 21 mil estão ocupadas.”

O governador em exercício Felicio Ramuth reforçou a avaliação de que o movimento migratório tende a diminuir. Para ele, a retomada de liberdades políticas e econômicas na Venezuela pode levar ao retorno de venezuelanos que deixaram o país. “Com o país livre, isso pode atrair aqueles que foram exilados e agora terão oportunidade de voltar”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão política em Caracas e ao reforço da fiscalização de imigrantes em Pacaraima (RR), cidade brasileira na fronteira com a Venezuela, após a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3).