MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros encerram sessão estáveis após operação militar americana na Venezuela

Mercado reage com cautela à intervenção dos EUA, queda do dólar e expectativas sobre o petróleo

Publicado em 05/01/2026 às 18:42
Reprodução / Agência Brasil

Na primeira sessão após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o mercado brasileiro de juros futuros acompanhou o movimento global de alívio nos ativos de renda fixa. O dia foi marcado por estabilidade nas taxas, refletindo a ausência de dados domésticos relevantes.

Em busca de segurança, investidores aumentaram a demanda por títulos do Tesouro americano, o que pressionou seus rendimentos para baixo e influenciou positivamente a curva de juros local. O dólar também recuou frente a uma cesta de moedas, incluindo o real.

De acordo com analistas, a percepção é de que a intervenção dos EUA tende a ampliar a oferta global de petróleo, gerando impacto desinflacionário. No Brasil, os preços da gasolina já estavam acima do mercado internacional antes do conflito, o que pode abrir espaço para uma redução promovida pela Petrobras. Assim, após um início de pregão mais cauteloso, as taxas intermediárias e longas recuaram ao longo do dia, estabilizando-se na reta final, em um ambiente de baixa liquidez e oscilações ampliadas.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,699% para 13,700%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,053% para 13,015%. O DI para janeiro de 2031 marcou 13,335%, ante 13,322% no ajuste anterior.

"Hoje, tudo ficou na conta do petróleo", afirma Tiago Hansen, diretor de gestão e economista da Alphawave Capital. "Uma oferta maior ajudaria no controle da inflação mundial, o que tende a fazer os juros globais caírem", explica. Apesar da ligeira alta dos contratos de petróleo Brent e WTI nesta segunda-feira, o mercado já projeta um cenário de longo prazo, segundo Hansen.

O economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano, destaca que os preços internos da gasolina praticados pela Petrobras estão cerca de 10% acima do preço de paridade de importação (PPI), o que pode levar a um possível corte pela estatal. "As commodities em geral subiram um pouco, mas o dólar mais fraco ameniza esse movimento", observa.

Serrano ressalta que o movimento desta segunda-feira foi de busca por segurança, elevando a procura por ativos reais, como commodities, além de títulos soberanos americanos e o dólar. "O real também teve bom desempenho frente ao dólar", acrescenta.

Para o economista, que mantém a expectativa de corte da Selic em março, a intervenção militar americana na Venezuela não deve alterar a estratégia do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Segundo Serrano, o evento adiciona volatilidade ao cenário internacional, mas não modifica as preocupações centrais do BC, que seguem mais relacionadas a fatores domésticos.

Em relatório a clientes, o UBS avaliou que a tensão na Venezuela terá impacto limitado sobre os ativos dos principais mercados latino-americanos, inclusive o brasileiro. "O Brasil é uma economia grande, com a China como principal parceiro comercial e relações em ascensão com os EUA", aponta o banco. O relatório ainda lembra que, recentemente, os EUA removeram tarifas sobre carne bovina e café brasileiros, além de retirar sanções a autoridades locais.