Venezuela denuncia agressão dos EUA na ONU e exige libertação de Nicolás Maduro
Embaixador venezuelano acusa intervenção militar dos EUA e pede retorno imediato do presidente ao país
O governo da Venezuela afirmou nesta segunda-feira (5), na Organização das Nações Unidas (ONU), que as instituições do país seguem funcionando normalmente e que a ordem constitucional está preservada, mesmo após a intervenção militar dos Estados Unidos, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Durante sessão do Conselho de Segurança, o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, declarou: "Apesar da gravidade dos acontecimentos, a Venezuela informa a este órgão e à comunidade internacional que suas instituições funcionam normalmente, que a ordem constitucional foi preservada e que o Estado exerce controle efetivo sobre todo o seu território, de acordo com a Constituição".
Na reunião, Moncada exigiu que os Estados Unidos respeitem integralmente a imunidade do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ambos levados à força para território norte-americano. O diplomata pediu ainda a libertação imediata do casal e seu retorno seguro à Venezuela. Caracas classificou a ação dos EUA como um ato de agressão e solicitou a convocação do encontro no Conselho de Segurança.
Mais cedo, a ONU informou que ainda não é possível determinar o número de mortos e feridos decorrentes da operação militar norte-americana na Venezuela. O comunicado foi lido pela secretária-geral adjunta Rosemary DiCarlo, em nome do secretário-geral António Guterrez. Segundo DiCarlo, "a dimensão das perdas humanas resultantes dessas ações ainda não pode ser estabelecida", mantendo a situação sob preocupação internacional. A ONU também fez um apelo por diálogo político inclusivo, respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito.
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela ocorreu em 3 de janeiro. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Maduro e Cilia Flores serão julgados em Nova York, sob acusações de envolvimento com "narcoterrorismo" e ameaça à segurança dos EUA.
Em resposta, o Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez. O governo venezuelano decretou ainda a mobilização das Forças Armadas e instituiu regime militar para a indústria petrolífera e outros setores estratégicos da economia.
De acordo com decreto divulgado em Caracas, as Forças Armadas foram mobilizadas em todo o território nacional, e a infraestrutura estatal, incluindo a indústria do petróleo, passou a operar sob regime militar temporário. Trabalhadores desses setores também atuam sob esse regime.
O documento prevê ainda o reforço da segurança e do patrulhamento nas fronteiras terrestres, aéreas e marítimas. As medidas, com validade de 90 dias, foram assinadas por Nicolás Maduro, pela vice-presidente e por membros do governo em 3 de janeiro.
Por Sputnik Brasil