Primeiro molde de pedra conhecido para produção de moedas é descoberto na Espanha romana (FOTOS)

Pesquisadores da Universidade de Jaén descobriram o primeiro molde de pedra conhecido usado para produção de moedas na província romana da Hispânia, sendo uma oportunidade de compreender a produção de moedas e a integração das cidades ibéricas ao sistema econômico romano.
Entre o final do século III e o século I a.C., várias casas da moeda surgiram na península ibérica, mas evidências tangíveis dessas oficinas são raras.
Pesquisadores da Universidade de Jaén, região da Andaluzia, descobriram um molde de pedra usado para produção de moedas no sítio arqueológico de Obulco, na Espanha, um importante assentamento ibero-romano, especialmente no século II a.C., que serviu como um centro econômico e cultural devido à sua localização estratégica e casa da moeda ativa.
A surpreendente descoberta na atual Porcuna vai ajudar a entender as práticas monetárias antigas na província romana da Hispânia, nos oferecendo pistas concretas sobre como a cunhagem de moedas era uma atividade intensa na região.

O molde de pedra encontrado, medindo 11 cm de altura, 13,7 cm de comprimento e 5,4 cm de largura, é metade de um molde bivalve usado para criar discos de metal brutos que seriam estampados em moedas. A análise petrográfica confirmou que a pedra veio da unidade geológica local de Porcuna.
A análise de espectrometria de fluorescência de raios X revelou uma liga de cobre-chumbo nas impressões metálicas do molde, semelhante às composições das moedas de Obulco. Pesquisadores associaram o molde à produção de jumentos de bronze entre 189 e 165 a.C., parte das primeiras séries de moedas emitidas pela cidade. Obulco foi uma das casas da moeda mais ativas no sul da Hispânia, emitindo moedas do final do século III ao século I a.C., com iconografia que refletia a integração ao sistema econômico romano.
A descoberta do molde perto das fortificações da cidade levanta questões sobre a localização da casa da moeda dentro do layout urbano de Obulco, sugerindo, junto a outras descobertas semelhantes em Carteia, que as oficinas de cunhagem podem ter sido situadas em áreas periféricas sob controle de magistrados locais ou militares.
As moedas cunhadas em Obulco durante o século II a.C. trazem nomes de magistrados locais inscritos em caracteres ibéricos e latinos, ilustrando a assimilação gradual das práticas administrativas romanas.
A crescente produção monetária coincide com a reorganização territorial e expansão da agricultura de cereais, ligada ao sistema econômico da República Romana. O molde de Obulco serve como um indicador das transformações nas cidades ibéricas à medida que se integravam à estrutura imperial romana.