Duterte vai aceitar responsabilidade após prisão por 'guerra às drogas', diz mídia

O ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, gravou uma mensagem de vídeo a caminho de Haia, sob custódia do Tribunal Penal Internacional (TPI), na qual diz ser "responsável por tudo".
O ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, aceitou a responsabilidade pela "guerra às drogas" de seu governo em uma mensagem de vídeo filmada a bordo de um avião antes de ser levado sob custódia do TPI. Ele afirmou que protegerá a polícia e os militares e se responsabilizará por tudo.
Este é seu primeiro comentário ao público filipino desde sua prisão. Duterte, vestido com uma camisa branca simples, disse que continuará a servir o país, mesmo enfrentando um longo processo legal.
Apesar disso, o ex-presidente não ofereceu desculpas por suas repressões antidrogas, que, segundo ativistas, podem ter matado até 30.000 pessoas. Ele foi transferido para uma unidade de detenção na costa holandesa após seu avião pousar no aeroporto de Roterdã.
O TPI confirmou que havia assumido a custódia de Duterte, com o promotor-chefe Karim Khan chamando isso de um passo crucial para garantir a responsabilização das vítimas dos crimes mais sérios sob a jurisdição do TPI. Duterte é o primeiro ex-líder de um país asiático a receber um mandado de prisão do tribunal.
O TPI afirmou que sua câmara encontrou motivos razoáveis para acreditar que Duterte é responsável como coautor indireto do crime contra a humanidade de assassinato, supostamente cometido nas Filipinas entre 2011 e 2019. Uma audiência será marcada para sua primeira aparição perante o tribunal.
Segundo a apuração do The Guardian, apoiadores de Duterte se reuniram na Instituição Penitenciária de Haia, enquanto especialistas em direitos e familiares de vítimas ficaram felizes com a notícia da prisão. Duterte mantém uma forte base de apoio, especialmente no sul do país. Sua filha, Sara Duterte, também chegou a Haia para oferecer apoio.
Os advogados de Duterte entraram com uma petição acusando o governo de "sequestrá-lo" e exigindo sua devolução às Filipinas, uma vez que o país se retirou do estatuto de Roma em 2019, mas o TPI mantém jurisdição para crimes ocorridos antes de sua saída. O presidente Ferdinand Marcos Jr. afirmou que a prisão foi adequada e seguiu todos os procedimentos legais necessários.