ORIENTE MÉDIO

Mesmo sob pressão de Trump, Jordânia se opõe a deslocamento de palestinos de Gaza e da Cisjordânia

Por Sputinik Brasil Publicado em 12/02/2025 às 01:10
© AP Photo / Alex Brandon

O rei da Jordânia, Abdullah II, se reuniu nesta terça-feira (11) na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que insistiu em sua pretensão de expulsar o povo palestino de Gaza para que Washington se aposse do enclave e inicie suposta reconstrução.

Após o encontro, no qual também esteve presente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Abdullah garantiu no X que reafirmou "a firme posição da Jordânia contra o deslocamento de palestinos em Gaza e na Cisjordânia".

"Essa é a posição árabe unificada. A prioridade de todos deve ser reconstruir Gaza sem deslocar sua população e abordar a difícil situação humanitária na Faixa", sustentou o monarca árabe.

Oferecimento de ajuda humanitária

No entanto, no Salão Oval, o rei jordaniano disse estar disposto a acolher 2 mil crianças palestinas gravemente doentes.

"Acredito que uma das coisas que podemos fazer imediatamente é trazer 2.000 meninas e meninos com câncer, que estão em um estado muito grave, isso é possível", afirmou Abdullah II.

Trump, por sua vez, classificou a oferta do rei como um "gesto bonito" e compartilhou que não estava ciente da situação das crianças palestinas até aquele momento.

Em relação à ameaça de suspender a ajuda ao reino e ao Egito se eles se recusassem a receber mais de dois milhões de palestinos, o político republicano pareceu recuar, ao declarar que não precisa "ameaçar com isso".

"Acho que faremos algo. Não preciso ameaçar com isso, acho que estamos acima disso", disse Trump.

No dia 4 de fevereiro, durante o primeiro dia da visita oficial do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, o chefe do Executivo americano revelou suas intenções para a Faixa de Gaza e seus habitantes.De acordo com o republicano, o povo palestino que vive no enclave não tem outra opção senão deixar Gaza — destruída após 15 meses de bombardeios israelenses — e se transferir para o Egito e a Jordânia, algo que ambos os países rejeitaram de forma categórica, assim como a comunidade árabe e os palestinos.

Além disso, Trump afirmou que os Estados Unidos tomarão a Faixa de Gaza, que supostamente será transformada na nova "Riviera do Oriente Médio" e que construirá "comunidades lindas", fora do enclave, para mais de 2 milhões de palestinos.

"Podem ser cinco, seis, podem ser duas. Mas construiremos comunidades seguras, um pouco mais longe de onde estão agora, onde está todo esse perigo", disse Trump.

O Hamas anunciou o adiamento da liberação de reféns prevista para 15 de fevereiro, argumentando que Israel não cumpriu os termos do armistício, atrasando o retorno dos deslocados ao norte da Faixa de Gaza e a entrega de ajuda humanitaria no enclave palestino.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu que "o inferno vai eclodir" na Faixa de Gaza se Hamas não devolver todos os reféns israelenses antes do meio-dia deste sábado (15).

Desde 19 de janeiro, um cessar-fogo está em vigor na Faixa de Gaza, após 470 dias de hostilidades, como parte de um acordo entre Israel e o Hamas para liberar prisioneiros israelenses em troca de prisioneiros palestinos. Mais de 48 mil palestinos e cerca de 1,5 mil israelenses foram mortos até o momento.