MEIO AMBIENTE

Mídia: para presidente da COP30 explorar petróleo no rio Amazonas não contradiz discurso ambiental

Publicado em 11/02/2025 às 17:58
© Foto / José Cruz/Agência Brasil

O presidente da COP30 e diplomata, André Corrêa do Lago, afirmou não ver "contradição" entre o discurso ambiental do governo brasileiro e o projeto de exploração de petróleo na foz do Amazonas, em uma entrevista divulgada nesta terça-feira (11) pelo site de notícias britânico BBC.

De acordo o jornal, o recém nomeado representante brasileiro para presidir a Comissão do Clima em Belém do Pará em novembro, explorar petróleo e gás natural nas águas profundas da região conhecida como Margem Equatorial, localizada a 570 quilômetros da foz do rio Amazonas, no Amapá, não prejudicaria avanços do Brasil no setor ambiental.

"Não acho que seja uma contradição, porque se você pegar qualquer país do mundo, eles estão fazendo coisas com vistas a chegar à meta de net zero [equilíbrio entre emissões e captura de gases do efeito estufa]. Alguns países estabeleceram isso como meta em 2050, como o Brasil. Mas se você tomar como exemplo a Alemanha, ela parou de usar energia nuclear e voltou a usar carvão. Por que ela fez isso? Porque dentro do seu plano de transição, eles consideraram que, econômica e racionalmente, eles ainda tinham que usar carvão por alguns anos até conseguir engatar na transição com vistas à meta de net zero até 2050", disse ele.

Por conta da ameaça à biodiversidade do oceano próximo à foz do rio Amazonas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) suspendeu em 2023 as licenças de exploração de petróleo na Margem Equatorial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a apoiar na quarta-feira passada (5) os trabalhos na região para garantir o uso de tecnologia que preserve a biodiversidade na área.

Na mesma entrevista ele comentou que a saída dos EUA do Acordo de Paris pode prejudicar metas globais de combate às mudanças climáticas por ameaçar as metas de financiamento de US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 7,1 trilhões) para projetos dessa natureza aos países em desenvolvimento.

"Se a maior economia do mundo não está orientada especificamente para o combate à mudança no clima, isso tem uma influência no mundo inteiro", disse ao acrescentar que "muitas das soluções" acontecem em outras negociações além da COP, como no G20.


Por Sputinik Brasil