Especialista: falas de Trump sobre questão palestina são 'agressão ilegal'

As declarações de Donald Trump sobre a "limpeza" e "tomada de controle" dos territórios palestinos são, de fato, uma agressão ilegal, afirmou à Sputnik Li Zhenjie, pesquisador júnior do Instituto do Mediterrâneo da Universidade de Línguas Estrangeiras de Zhejiang.
O analista disse que, ao mesmo tempo, Trump retomou a política de "pressão máxima" sobre o Irã, mas também espera que o Irã tenha um "desenvolvimento pacífico". Estas afirmações contraditórias sobre o Irã estão relacionadas ao tema de Gaza.
Então, enfatizou Li Zhenjie, elas representam o estilo controverso de Trump de se conduzir no palco internacional.
"Tudo isso reflete as peculiaridades de sua política externa: simplicidade e rudeza, uma combinação de dureza e suavidade, isolacionismo explícito e pragmatismo pronunciado", elaborou o especialista.
As declarações do presidente norte-americano, destacou o analista, têm dois objetivos:
Na perspectiva estratégica, disse Li Zhenjie, esta posição serve como preparação para a implementação da sua estratégia para o Oriente Médio.
"Primeiro, apoiar Israel, recusar o plano 'dois Estados, dois povos' e implementar a chamada 'transformação pacífica' da Palestina, a incorporando à órbita de Israel. Segundo, minando a vontade palestina de resistir, promover a normalização das relações entre um número cada vez maior de países árabes e Israel, criando uma situação geopolítica favorável para Israel", acrescentou o analista.

No entanto, tais aspirações de Trump foram criticadas não apenas por aliados da Palestina, mas também pela França, o Reino Unido e outros aliados-chave dos EUA. Trump enfrentou o mesmo problema também dentro dos EUA.
"Isso prova que o isolacionismo e o hegemonismo egoísta do governo Trump são extremamente impopulares e, se essas declarações forem colocadas em prática, certamente terão um impacto catastrófico na segurança mundial e na ordem internacional", adicionou o especialista.
Ele finalizou dizendo que as declarações do presidente dos EUA podem minar as negociações palestino-israelenses, porque elas vão fortalecer resistência e oposição palestinas, o que daria um pretexto para a ação da extrema direita em Israel, que já se opõe fortemente às negociações de cessar-fogo.