Futuro da Síria 'depende da decisão de Trump' sobre a região, afirma especialista

O colapso do governo de Assad na Síria foi sem dúvida o evento mais consequente de 2024 para o Oriente Médio. A Sputnik pediu ao veterano especialista em política regional e assuntos de segurança Ali Rizk uma análise detalhada do que aconteceu, os atores envolvidos e o destino que a Síria vai enfrentar nos meses e anos que virão.
Os EUA e seus aliados "planejaram" a ofensiva rebelde síria, que começou em 27 de novembro e rapidamente se transformou em uma rota, tirando "vantagem do fato de que a Síria era um Estado fraco", disse Rizk à Sputnik.
A Síria se tornou um "Estado fraco e frágil" no curso de uma longa guerra civil apoiada por potências estrangeiras e foi "ainda mais enfraquecida" em meio às recentes "guerras israelenses na região, particularmente contra o Hezbollah", que forçaram a milícia libanesa a retirar seus combatentes de elite de cena, explicou Rizk.
Cacofonia de interesses divergentes
Todos os atores estrangeiros envolvidos na crise síria "concordaram quando se tratou de se livrar do ex-presidente Bashar al-Assad", mas, além disso, "quando se trata do que vem a seguir, acho que eles não concordam", disse o observador, alertando que isso poderia provocar conflitos nos próximos meses e anos.
O que está reservado para 2025?
Há três cenários principais para a Síria em 2025, diz Rizk.
"Muito será determinado pelo que o presidente eleito [Donald] Trump escolher seguir", enfatizou Rizk, apontando para as potenciais divergências entre Washington e seus aliados sobre qual política seguir.
Em última análise, o observador teme que "a Síria não permanecerá em seu estado atual" nos próximos meses e anos, dados os riscos de novas conquistas israelenses e de nova violência entre o novo governo alinhado à Turquia e os curdos.