RÚSSIA

Ocidente pede mais: consequências e riscos para Sul Global do aumento de gastos de defesa pela OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a política externa da União Europeia (UE), lideranças de certos países e o presidente eleito dos EUA

Publicado em 28/12/2024 às 12:52
© AP Photo / Sergei Grits

Embora Trump ainda não tenha assumido o cargo de novo presidente dos EUA, já está enviando sinais claros: os europeus devem se comprometer a elevar os gastos militares para 5% do PIB.

O objetivo é óbvio, que ele próprio já explicou: sob sua liderança, Washington não vai querer assumir a maior parte do orçamento da OTAN.

E essa mensagem é uma espécie de desafio.

De acordo com o sociólogo e escritor Aníbal Garzón, há uma correlação entre o orçamento de defesa inchado do Ocidente e a autoconsciência cada vez maior de um mundo alternativo e emergente liderado pelo grupo BRICS.

"Porque [...] uma grande parte do orçamento da OTAN visa países deste grupo: a Rússia, que qualificaram de ameaça, e a China, que descreveram como desafio", diz Garzón, autor do ensaio "BRICS: a transição para uma ordem mundial alternativa".

O especialista destaca que a OTAN e o Ocidente coletivo têm receio do fortalecimento da cooperação sul-sul, que é uma ordem de relações internacionais e geoeconômicas inspirada pelos países do BRICS.

"Isso ocorre apesar do fato de a associação não ser um bloco militar. Mas o Ocidente vê uma ameaça à sua hegemonia, daí o compromisso dos EUA em militarizar a UE e o fato de que a UE está se tornando um peão em um confronto com a Rússia e a China", lamentou Garzón.

Ele acredita que, com Trump, uma OTAN com um orçamento mais robusto "será preocupante" e poderá abrir caminho para a criação de situações de confronto "direto ou indireto" em quatro áreas de "desestabilização": Rússia, Oriente Médio, China e América Latina.

Em sua opinião, o histórico da organização não convida ao otimismo.

"Acumula crimes de guerra nas últimas décadas, sem limites. Por exemplo, na Iugoslávia, na Líbia e no Afeganistão", enfatiza.

E, apesar desse histórico, a UE "aposta nas políticas de militarização da OTAN e não na coexistência com outros países".

Por Sputinik Brasil