VIOLÊNCIA

Mídia: confrontos em Moçambique deixam dezenas de mortos e feridos; mais de 1,5 mil fogem da cadeia

Episódios de violência extrema na capital de Moçambique, Maputo, nas últimas 24 horas, provocaram a morte de mais de 20 pessoas, de acordo com relatos da mídia local.

Publicado em 26/12/2024 às 18:30
© AP Photo / Carlos Uqueio

O país africano registrou o terceiro dia de saques, protestos, bloqueios e confrontos, depois que o Conselho Constitucional nacional ratificou, na última segunda-feira (23), a vitória do candidato Daniel Chapo, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), nas eleições presidenciais de 9 de outubro.

Chapo sucederá no cargo Filipe Nyusi, já que o Frelimo também manteve a maioria parlamentar nas eleições gerais de 9 de outubro.

A confirmação do resultado, que concedeu 65% dos votos a Chapo, foi contestada pela oposição, liderada por Venâncio Mondlane, que obteve 24%.

Ainda segundo a mídia local, mais de 1,5 mil presos da cadeia central de Maputo fugiram nesta quarta-feira (25).

De acordo com o comandante da polícia de Moçambique, Bernardino Rafael, em uma coletiva de imprensa em Maputo, houve confronto com os agentes de segurança. O comandante revelou que "esse confronto direto com os prisioneiros e manifestantes resultou em 33 mortos e 15 feridos". As operações de busca das forças de segurança conseguiram deter 150 detentos, segundo ele.

A Penitenciária de Máxima Segurança de Maputo, localizada a pouco mais de 14 quilômetros do centro da capital moçambicana, abriga em sua ala de alta segurança condenados e suspeitos de crimes graves, principalmente homicídios, segundo o Ministério da Justiça.

Vídeos nas redes sociais que circulam desde o início da tarde mostram confrontos entre os detentos e as forças de segurança da prisão, que efetuaram vários disparos para tentar conter a rebelião.

O jornal local Carta de Moçambique publicou que as tensões causaram interrupções no transporte aéreo regional, com cancelamento de voos de embarque e desembarque.

Os apoiadores de Venâncio Mondlane saíram às ruas, levantando barricadas e enfrentando as forças policiais, que dispararam para dispersar os manifestantes, de acordo com os relatos da imprensa local.

O jornal Club de Mozambique informou que a polícia registrou 236 atos de violência grave em 24 horas em resposta aos resultados eleitorais.

O partido Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) está à frente do país africano desde 1975.


Por Sputinik Brasil