RÚSSIA

O que marca fim de ciclo político global em 2024 e o que esperar em 2025? Sputnik explica

Da ascensão do Sul Global à vanguarda do cenário mundial com suas associações internacionais até a esperança em novos líderes mundiais na resolução de tensões no mundo

Publicado em 25/12/2024 às 10:03
© Sputnik / Sergei Bobylev

Principais conclusões de 2024 nas relações internacionais

De acordo com os especialistas entrevistados, um dos principais resultados de 2024 pode ser considerado o termo de um certo ciclo político no mundo.

Como observou o diretor científico do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, Andrei Kortunov, 2024 é um ano recorde de várias décadas em termos de número de eleições realizadas por todo o mundo, com mais de 1,6 bilhões de pessoas tomando parte nelas.

“É muito marcante o fato de que, com abordagens raras, em todas essas eleições os partidos no poder foram derrotados, perdas de posições”, notou ele.

A eleição mais marcante ocorreu nos Estados Unidos, onde não só o ex-presidente Donald Trump chegou ao poder, mas ambas as câmaras do Congresso, Senado e Câmara dos Representantes, ficaram sob o controle do Partido Republicano dele.

O Reino Unido, a França, a Alemanha, a Coreia do Sul, o Japão – Kortunov citou esses países como exemplo da transição do poder dos partidos governistas para os da oposição.

“A chegada de novos líderes é uma demonstração de que as antigas instituições, incluindo os antigos partidos políticos, não funcionam mais com a mesma eficácia de décadas atrás”, acrescentou.

Um dos maiores resultados do ano 2024 se considera a ascensão de países do Sul Global no cenário mundial.

Nos últimos anos, a Sul Global fez muito para desenvolver os laços entre si, com a elevação da importância do BRICS e a cúpula em Kazan sendo exemplos deste processo.

Destaca-se que a 16ª Cúpula do BRICS em Kazan, com a participação de representantes de 36 países e seis organizações internacionais, realizada de 22 a 24 de outubro de 2024, pela primeira vez, deu tanta ou mais atenção às questões de segurança do que às questões de desenvolvimento.

“O que realmente está sendo construído aqui é uma visão compartilhada de uma ordem mundial aleatória que poderia substituir a atual ordem mundial ineficaz e, em muitos aspectos, em colapso”, disse o diretor-geral do conselho, Ivan Timofeev.

Kortunov lembrou que nenhum dos conflitos que 2024 herdou de 2023 foi resolvido:

O ano também foi marcado pela escalada de alguns deles, tendo início na Faixa de Gaza, as operações de Israel se expandiram para o Líbano e a Síria.

Por outro lado, como especialistas o mundo evitou uma escalada que teria saído do controle: não houve um confronto militar direto entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), nem uma grande guerra no Oriente Médio.

O que acontecerá em 2025?

Falando sobre o Oriente Médio, Kortunov explicou as trocas de ataques entre o Irã e Israel, mas, no entanto, em sua opinião, uma grande guerra no Oriente Médio não aconteceu e é pouco provável que aconteça em 2025.

Também é pouco provável que uma situação incerta na Síria seja resolvida sem o envolvimento de grandes países.

Como uma das questões mais importantes de 2025 ele nomeou o possível fim do conflito na Ucrânia.

Timofeev, por sua vez, especificou que há propostas para uma mudança nas relações entre Moscou e o Ocidente, mas disse que não se deve ter grandes ilusões em relação ao novo governo dos EUA.

“É bem provável que o governo Trump defenda um cessar-fogo [na Ucrânia], algum tipo de trégua, talvez com o objetivo de usá-la para reconstruir a Ucrânia e enfraquecer a Rússia de alguma outra forma”, enfatizou.

Se falarmos sobre variações em outras áreas, Andrei Kortunov acredita que em 2025 também haverá mais cooperação entre o Sul Global e a maioria mundial, mas será preciso lutar pela preservação das conquistas de 2024.

No que diz respeito às relações entre as maiores potências econômicas do mundo, Kortunov opinou que a concorrência tecnológica e o confronto comercial entre a China e os EUA continuarão.

O especialista enfatizou que, se os dois países chegarem a algum acordo, será tático, já que as posições de Pequim e Washington em relação ao futuro do sistema internacional divergem muito profundamente.

Por Sputinik Brasil