Estudo sugere atividade tectônica em Vênus com vales em fenda
Simulações da ETH Zurich mostram que Vênus pode ter um interior mais dinâmico do que se pensava.
Novas simulações de computador 3D do Instituto Federal de Tecnologia ETH Zurich mostram que os flancos de fratura jovens em Vênus permanecem altos e íngremes, enquanto os mais antigos se achatam com o tempo.
"Os vales em fenda, que indicam atividade tectônica, podem ser vastos e assemelhar-se aos da Terra, como o Vale da Grande Fenda. Em Vênus, eles podem se estender por até 10.000 km", observam o professor Taras Gerya, da ETH Zurich, e seus colegas.
No estudo, os autores usaram um novo modelo de computador para simular fendas 3D de alta resolução em Vênus pela primeira vez.
Isto permitiu-lhes replicar com precisão as estruturas de fenda e fornecer melhores explicações sobre a sua formação, escreve Sci.News.
"Os modelos indicam que cristas largas, conhecidas como flancos de fenda, se formam ao longo das bordas dos vales de fenda quando as fendas são geologicamente jovens e ainda estão em movimento ativo ou só recentemente pararam de se mover", explicam os cientistas.
As simulações também sugerem que estas fendas se alargam mais rapidamente do que se acreditava anteriormente, a uma velocidade de 3 a 10 cm por ano.
"Flancos de fenda largos e altos não são apenas produzidos pelo modelo de computador, mas também podem ser vistos em imagens da superfície venusiana da sonda Magellan da NASA durante sua missão na década de 1990", diz pesquisa.
Com base em suas simulações e dados observacionais, os pesquisadores concluem que Vênus continua sendo um planeta ativo com um interior mais dinâmico do que se acreditava anteriormente.