FUTEBOL ALAGOANO

MP/AL notifica CBF e exige explicações sobre suposta "estrutura paralela" na Federação Alagoana

Investigação apura se institutos privados foram criados pela presidência da FAF para gerenciar milhões em verbas e driblar dívida ativa de R$ 6,2 milhões

Por Redação com Lance! Publicado em 25/05/2026 às 13:29
Sede a CBF Arquivo

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) notificou oficialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que preste esclarecimentos detalhados sobre as movimentações financeiras, repasses e a regularidade contábil da Federação Alagoana de Futebol (FAF). A iniciativa, baseada em denúncias publicadas pelo site Lance!, investiga o possível uso de uma "estrutura paralela" para gerenciar recursos e contornar uma dívida ativa da federação local estimada em R$ 6.203.878,80.

O promotor de Justiça Anderson Cláudio de Almeida Barbosa fixou um prazo de 20 dias para que a entidade nacional responda formalmente a 10 questionamentos técnicos. Caso a CBF descumpra o prazo ou omita as informações, o Ministério Público poderá adotar novas medidas extrajudiciais ou ajuizar ações civis públicas.

Suposta triangulação com institutos privados

No centro do procedimento administrativo está o atual presidente da FAF, Felipe de Omena Feijó — filho do ex-mandatário da federação e atual diretor de futebol masculino da CBF, Gustavo Feijó.

Segundo a reportagem original do jornalista Lúcio de Castro, a presidência da FAF instituiu duas entidades privadas nos mesmos moldes:

  • Em 2017: O Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP), criado com a finalidade estatutária expressa de "gerenciar e receber recursos em nome da sócia instituidora [a FAF]". O IFPP segue ativo e operando com a federação.
  • Em 2022: O Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP), também conhecido como "Instituto Nossa Senhora das Graças", que se desvinculou formalmente da federação em 2024.

Milhões em emendas parlamentares sob suspeita

As investigações apontam que a estrutura paralela captou volumes expressivos de dinheiro público. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude de Alagoas (Selaj) revelam as cifras movimentadas no ano passado:

Origem dos Recursos
Destinação / Contexto
Valor Repassado
Emendas Parlamentares
Deputados estaduais para projetos das entidades da FAF
R$ 6.312.776,49
CBF (Ordinário)
Repasse anual ordinário enviado para a FAF em 2024
R$ 2.188.544,00
CBF (Arbitragem)
Verba destinada exclusivamente para a arbitragem
R$ 207.719,00

Os 10 questionamentos do Ministério Público

Diante do panorama orçamentário, o MP/AL exige que a CBF responda de forma clara aos seguintes tópicos:

  1. Se possui conhecimento formal acerca da existência, atuação ou vínculo dos institutos IFPP e IFAGP;
  2. Se tais institutos mantêm ou mantiveram qualquer relação, convênio ou repasse com a CBF;
  3. Se a confederação sabe do envolvimento de recursos públicos ou privados nesses institutos em atividades da FAF;
  4. Se a CBF realizou ou recebeu auditorias e denúncias envolvendo a FAF, os institutos ou seus dirigentes;
  5. Se possui conhecimento e analisou o chamado "Relatório de Auditoria 2024", e se houve ressalvas;
  6. Como funciona a fiscalização, compliance e prestação de contas da CBF sobre as federações estaduais;
  7. Quais os mecanismos de controle aplicados especificamente em relação à FAF;
  8. Se foram identificadas inconsistências ou irregularidades contábeis na FAF nos exercícios de 2023, 2024 e 2025;
  9. O detalhamento de todos os repasses e convênios da CBF para a FAF ou institutos nos últimos cinco anos;
  10. Quais as normas internas de integridade vigentes para garantir a transparência das federações filiadas.