MP/AL notifica CBF e exige explicações sobre suposta "estrutura paralela" na Federação Alagoana
Investigação apura se institutos privados foram criados pela presidência da FAF para gerenciar milhões em verbas e driblar dívida ativa de R$ 6,2 milhões
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) notificou oficialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que preste esclarecimentos detalhados sobre as movimentações financeiras, repasses e a regularidade contábil da Federação Alagoana de Futebol (FAF). A iniciativa, baseada em denúncias publicadas pelo site Lance!, investiga o possível uso de uma "estrutura paralela" para gerenciar recursos e contornar uma dívida ativa da federação local estimada em R$ 6.203.878,80.
O promotor de Justiça Anderson Cláudio de Almeida Barbosa fixou um prazo de 20 dias para que a entidade nacional responda formalmente a 10 questionamentos técnicos. Caso a CBF descumpra o prazo ou omita as informações, o Ministério Público poderá adotar novas medidas extrajudiciais ou ajuizar ações civis públicas.
Suposta triangulação com institutos privados
No centro do procedimento administrativo está o atual presidente da FAF, Felipe de Omena Feijó — filho do ex-mandatário da federação e atual diretor de futebol masculino da CBF, Gustavo Feijó.
Segundo a reportagem original do jornalista Lúcio de Castro, a presidência da FAF instituiu duas entidades privadas nos mesmos moldes:
- Em 2017: O Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP), criado com a finalidade estatutária expressa de "gerenciar e receber recursos em nome da sócia instituidora [a FAF]". O IFPP segue ativo e operando com a federação.
- Em 2022: O Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP), também conhecido como "Instituto Nossa Senhora das Graças", que se desvinculou formalmente da federação em 2024.
Milhões em emendas parlamentares sob suspeita
As investigações apontam que a estrutura paralela captou volumes expressivos de dinheiro público. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude de Alagoas (Selaj) revelam as cifras movimentadas no ano passado:
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Origem dos Recursos |
Destinação / Contexto |
Valor Repassado |
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Emendas Parlamentares |
Deputados estaduais para projetos das entidades da FAF |
R$ 6.312.776,49 |
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CBF (Ordinário) |
Repasse anual ordinário enviado para a FAF em 2024 |
R$ 2.188.544,00 |
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CBF (Arbitragem) |
Verba destinada exclusivamente para a arbitragem |
R$ 207.719,00 |
Os 10 questionamentos do Ministério Público
Diante do panorama orçamentário, o MP/AL exige que a CBF responda de forma clara aos seguintes tópicos:
- Se possui conhecimento formal acerca da existência, atuação ou vínculo dos institutos IFPP e IFAGP;
- Se tais institutos mantêm ou mantiveram qualquer relação, convênio ou repasse com a CBF;
- Se a confederação sabe do envolvimento de recursos públicos ou privados nesses institutos em atividades da FAF;
- Se a CBF realizou ou recebeu auditorias e denúncias envolvendo a FAF, os institutos ou seus dirigentes;
- Se possui conhecimento e analisou o chamado "Relatório de Auditoria 2024", e se houve ressalvas;
- Como funciona a fiscalização, compliance e prestação de contas da CBF sobre as federações estaduais;
- Quais os mecanismos de controle aplicados especificamente em relação à FAF;
- Se foram identificadas inconsistências ou irregularidades contábeis na FAF nos exercícios de 2023, 2024 e 2025;
- O detalhamento de todos os repasses e convênios da CBF para a FAF ou institutos nos últimos cinco anos;
- Quais as normas internas de integridade vigentes para garantir a transparência das federações filiadas.