CANCELAMENTO

Presidente alcoolizado e demissão de técnico: entenda crise que revoltou a torcida do Medellín

Publicado em 08/05/2026 às 10:03

O cancelamento da partida entre Independiente Medellín e Flamengo, nesta quinta-feira, 7, pela Libertadores, foi o ápice de uma crise institucional e esportiva que vem incendiando os bastidores do clube colombiano. Protestos violentos, invasão de áreas próximas ao gramado, lançamento de objetos e forte tensão com a diretoria transformaram o Estádio Atanasio Girardot em cenário de caos e levaram à encerramento definitivo do confronto ainda nos primeiros minutos.

O julgado Jesús Valenzuela interrompeu o jogo logo após o início, diante da falta de segurança. Cerca de uma hora depois, a Conmebol confirmou o cancelamento da partida, enquanto jogadores e comissão técnica aguardavam nos vestiários.

A revolta da torcida do Medellín ganhou força após a eliminação precoce da equipe no Campeonato Colombiano. No último domingo, o time perdeu por 2 a 1 para os Águilas Doradas, em casa, e terminou fora da zona de classificação aos playoffs nacionais.

Após o tropeço diante dos Águilas, o principal alvo dos protestos passou por Raúl Giraldo, acionista majoritário do clube. O dirigente entrou no gramado visivelmente alcoolizado após a derrota e fez gestos em direção às arquibancadas, incluindo sinais relacionados ao dinheiro, atitude que irritou ainda mais os torcedores.

A repercussão negativa foi imediata. No dia seguinte, Giraldo divulgou um vídeo pedindo desculpas pelo comportamento e anunciou que deixaria temporariamente suas funções administrativas para tentar reduzir a pressão sobre o clube.

Mesmo assim, membros das organizações mantiveram os protestos e passaram por mudanças profundas na estrutura de Medellín, incluindo a venda das ações de Giraldo e sua saída definitiva do comando da equipe.

Técnico caiu após goleada sofrida para o Flamengo

Antes mesmo desse episódio, a instabilidade já tinha atingido a comissão técnica. O treinador Alejandro Restrepo foi demitido poucos dias depois da goleada por 4 a 1 sofrida para o Flamengo, no Maracanã, ainda na fase de grupos da Libertadores.

Para seu lugar, o clube promoveu o interino Sebastián Botero, mas os resultados negativos e o ambiente interno conturbado impediram qualquer evento esportivo.

A torcida passou a críticas direcionadas não apenas à diretoria e aos jogadores, mas também à federação colombiana, à Conmebol e até à Fifa, em meio a acusações de falta de comprometimento e insatisfação com decisões recentes envolvidas no clube.

PROTESTOS COMEÇARAM ANTES DA BOLA ROLAR

O clima já foi considerado explosivo antes do mesmo duelo contra o Flamengo. Autoridades locais chegaram a discutir a realização da partida com locais fechados, mas a medida não foi adotada.

Desde os instantes iniciais, membros das organizações - vestidos de preto e com o rosto coberto - acenderam sinalizadores e bombas nas arquibancadas. Objetos foram lançados na direção ao gramado e ao goleiro Agustín Rossi.

Também houve queda de graus de proteção, tentativa de invasão de campo e confrontos com policiais. Relatos da imprensa local apontaram ainda agressões a jornalistas dentro do estádio.

Enquanto a confusão aumentava, os torcedores entoavam cânticos contra a atual administração do clube, exigindo mudanças imediatas.

FLAMENGO PODE VENCER POR WO

Com a suspensão definitiva da partida, a tendência é que a Conmebol aplique derrota por WO ao Medellín. O regulamento disciplinar da entidade prevê vitória por 3 a 0 ao adversário quando um clube é considerado responsável pelo cancelamento do jogo.

Caso a tranquilidade seja confirmada, o Flamengo herdará os três pontos da partida. Situação semelhante ocorreu recentemente no confronto entre Colo-Colo e Fortaleza, também interrompida por confusão envolvendo torcedores.

A decisão final, no entanto, dependerá da análise dos relatórios da arbitragem e do delegado da partida pela Comissão Disciplinar da Conmebol.