ASTRONOMIA

Estudo revela que pulsares emitem rádio além dos polos e desafiam teorias clássicas

Nova pesquisa mostra que sinais de rádio de pulsares podem se originar de regiões distantes, ampliando o entendimento sobre essas estrelas de nêutrons.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/04/2026 às 07:11
Pulsares emitem sinais de rádio além dos polos, revelando novas áreas de emissão e desafiando teorias clássicas. © AP Photo / NASA, JPL-Caltech

Pesquisadores descobriram que estrelas de nêutrons extremamente rápidas — conhecidas como pulsares — apresentam uma complexidade ainda maior do que se acreditava até então. Novas observações indicam que esses objetos podem emitir sinais de rádio não apenas a partir de seus polos, como se pensava há décadas, mas também de regiões mais afastadas em suas bordas.

Os pulsares se formam quando estrelas massivas colapsam após esgotarem seu combustível nuclear, originando remanescentes incrivelmente densos — uma colher de chá de sua matéria pode pesar milhões de toneladas. Esse processo gera campos magnéticos intensos e acelera a rotação da estrela, que chega a girar centenas de vezes por segundo.

Quando emitem radiação pelos polos, esses objetos funcionam como verdadeiros faróis cósmicos, produzindo pulsos regulares que atingem a Terra com precisão impressionante.

Por esse motivo, muitos pulsares são utilizados como "relógios" naturais em pesquisas astrofísicas de alta precisão.

No entanto, segundo a nova pesquisa — que analisou cerca de 200 pulsares de milissegundos, comparando sinais de rádio com dados de raios gama —, em aproximadamente um terço deles, os cientistas identificaram ondas de rádio provenientes de duas ou mais regiões ao redor da estrela, muito além dos polos. Entre estrelas de nêutrons mais lentas, esse fenômeno é extremamente raro.

O alinhamento entre esses pulsos de rádio e as explosões de raios gama observadas pelo Telescópio Espacial Fermi revelou que ambos os sinais se originam das mesmas áreas distantes, associadas a uma "folha de corrente" de partículas carregadas que gira juntamente com o pulsar. Isso indica que a emissão não polar é mais comum e relevante do que se imaginava.

Essa descoberta também contribui para explicar por que alguns pulsares apresentam perfis de rádio irregulares ou fragmentados. O que os telescópios captam depende da orientação do pulsar e de quais regiões emissoras estão voltadas para a Terra — seja o polo, a folha de corrente ou ambos.

Além de ampliar o entendimento sobre a física extrema desses objetos, o estudo sugere que pulsares de milissegundos podem ser mais facilmente detectados do que o previsto, já que emitem ondas de rádio em uma faixa angular mais ampla. Isso favorece projetos que utilizam pulsares como ferramentas para medir fenômenos como ondas gravitacionais.