DECISÃO JUDICIAL

Justiça condena três integrantes da Mancha Alviverde por invasão ao CT do Palmeiras

Líderes da organizada receberam penas por invasão à Academia de Futebol em protesto após derrota do clube

Publicado em 02/04/2026 às 18:15
Reprodução

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou três integrantes da Mancha Alviverde pela invasão à Academia de Futebol do Palmeiras, ocorrida em agosto de 2024. O juiz Sérgio Ricardo Duarte concluiu que os torcedores entraram de forma clandestina no centro de treinamento, localizado na Barra Funda, zona oeste da capital paulista. A decisão ainda cabe recurso.

Foram condenados Jorge Luis Sampaio Santos, então presidente da torcida organizada, e os vices Felipe Mattos dos Santos e Thiago Amorim de Melo. Eles responderam por violação de domicílio qualificada pelo concurso de pessoas, já que o crime foi praticado em grupo. Segundo a sentença, os três lideraram a invasão de cerca de 20 torcedores, que aproveitaram a abertura do portão para a saída de veículos e entraram sem autorização.

A ação ocorreu após a derrota do Palmeiras por 2 a 0 para o Flamengo, em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O objetivo do grupo era cobrar o elenco, que seria eliminado no jogo de volta.

O processo reuniu boletim de ocorrência, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas, incluindo o diretor de futebol Anderson Barros. Ele relatou que a presença dos membros da organizada causou apreensão, pois jogadores e comissão técnica estavam no local no momento da invasão.

O gerente operacional do CT, Richard Novais, afirmou ainda que houve empurrão contra um segurança na tentativa de conter o grupo, reforçando que a entrada não foi autorizada.

"A ação foi coletiva e coordenada, o que aumenta a reprovabilidade da conduta e justifica a incidência da forma qualificada do delito", destacou o juiz na sentença.

Em depoimento, os acusados admitiram que foram ao local para "dialogar" sobre a má fase do time, mas alegaram que o portão aberto seria um indicativo de permissão. O argumento foi rejeitado pelo magistrado, que ressaltou que o acesso ao CT é controlado e exige autorização prévia.

O juiz frisou que a intenção dos torcedores, seja protestar ou conversar, não altera a configuração do crime, pois o simples ato de ingressar em local privado contra a vontade do responsável já caracteriza a violação.

Jorge Luís Sampaio, então presidente da Mancha Alviverde, recebeu a pena mais alta, de oito meses em regime semiaberto, devido a antecedentes criminais. Ele renunciou ao cargo antes de ser preso em dezembro de 2024 e se entregou à polícia, acusado de envolvimento no ataque a um ônibus com torcedores do Cruzeiro na Rodovia Fernão Dias, ocorrido em outubro de 2024, que resultou em um morto e 17 feridos.

Felipe Mattos dos Santos e Thiago Amorim de Melo foram condenados a sete meses de detenção. No entanto, a Justiça substituiu as penas de prisão dos três por prestação de serviços à comunidade, a ser definida na fase de execução.