Gaviões vai ao CT do Corinthians e cobra Dorival e elenco após derrota para o Fluminense
A manhã desta quinta-feira, 2, foi de clima tenso no CT Joaquim Grava. Integrantes da Gaviões da Fiel estiveram no local para cobrar uma reação do Corinthians após a derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na noite desta quarta-feira, 1, no Maracanã.
Os torcedores chegaram ao centro de treinamento logo após retornarem da viagem ao Rio de Janeiro e aguardaram autorização para entrar e conversar diretamente com o grupo. No local, a equipe se preparava para iniciar as atividades visando o confronto contra o Internacional, marcado para domingo, pelo Campeonato Brasileiro.
Representantes da organizada tiveram contato com o técnico Dorival Júnior, o presidente Osmar Stabile, dirigentes e todos os jogadores. O encontro foi marcado por um tom duro, com críticas ao desempenho recente e questionamentos tanto à comissão técnica quanto aos atletas.
O presidente da Gaviões, Alexandre Domênico, também conhecido por Alê, detalhou a abordagem adotada pela torcida e destacou o desgaste vivido pelos corintianos fora de campo.
"Viemos de caravana do Rio de Janeiro, com a mesma roupa, inclusive. Falamos toda a situação que o corinthiano passa para torcer, empurrar, a maneira que a gente é tratado em todos os estados do Brasil. O que a gente quer é representatividade em campo. Conseguimos falar com o Dorival Junior. Falamos com a comissão técnica, falamos com o próprio presidente Osmar Stabile e os jogadores também."
Na sequência, ele reforçou a cobrança por entrega, mesmo diante das limitações financeiras do clube."É uma realidade muito dura, o Corinthians está sem dinheiro. Há quanto tempo não falamos de uma grande contratação na janela? Mas isso não quer dizer que o jogador não tem que se doar."
Além das críticas, a torcida deixou claro que espera uma resposta rápida dentro de campo, já nos próximos compromissos. "Pedimos raça, que vença domingo, quinta, contra o Palmeiras. Mesmo que a gente não vença, que eles representem e não vamos ficar atacados igual ontem. São vários jogos sem representatividade."
Alê também revelou que houve o pedido para falar com todo o elenco, e não apenas com lideranças: "Quando a gente vem, só colocam os líderes, mas queríamos falar com todos, dos mais novos aos recém-chegados. Eles são responsáveis por resgatar nossa força e nosso protagonismo."
Ele ainda comentou o contexto interno do clube e o impacto fora das quatro linhas: "A gente sabe da falta do elenco, faltam algumas peças que não vieram dessa realidade que falamos. Corinthians contrata a terceira galeria de jogadores. A torcida nos cobra muito isso, mas viemos numa linha mais calorosa. Essa bagunça política também atrapalha, por mais que os jogadores estejam aqui só para jogar bola."
PRESSÃO SOBRE DORIVAL E DIRETORIA
A cobrança não se limitou aos jogadores. O técnico Dorival Júnior e a diretoria também foram questionados durante o encontro.
"A cobrança foi desde o presidente do Corinthians até o Dorival. Cobramos sim o Dorival. A gente quer entender algumas escalações, algumas alterações. Ele falou o lado dele. Ele está pressionado sim, não vamos ser hipócritas. Precisa ganhar domingo, precisa ganhar bem domingo, precisa ganhar bem quinta-feira, precisa ganhar principalmente no outro domingo (contra o Palmeiras). A nossa cobrança foi na totalidade."
Apesar do clima inicial mais tenso, a torcida afirmou que a intenção era dialogar com todos os envolvidos.
"No início, tiveram uma ideia mais calorosa. Não esperavam que a gente ia entrar no campo, mas depois entenderam, porque toda vez que a gente vem aqui é porque as coisas não estão indo bem. Muitas vezes viemos para apoio, mas agora é cobrança. Representamos 35 milhões de corinthianos, eu jamais queria estar aqui. Se tiver que ser uma linha mais incisiva, vai ser. São esses caras que vamos precisar apoiar."
Por fim, deixou claro que a cobrança foi coletiva, sem individualizar erros: "Não direcionamos para nenhum jogador. Foi para o elenco todo, porque, se for ver, todos executaram alguma falha. Falamos no geral, desde os mais novos até os mais experientes", finalizou Ale.
A visita ocorre em meio ao pior momento do Corinthians nos últimos anos. Com o resultado no Maracanã, o time chegou a oito partidas sem vencer - sequência que não acontecia há quase três temporadas. O último triunfo foi registrado em 19 de fevereiro, quando a equipe bateu o Athletico Paranaense por 1 a 0.
Atualmente na 11ª posição do Brasileirão, com dez pontos, o Corinthians tenta reagir já na próxima rodada. A equipe volta a campo no domingo, às 19h30, contra o Internacional, na Neo Química Arena, pela décima rodada da competição.