ESPORTE

Por que o acidente de Bearman é ‘a batida que os pilotos temiam’ na Fórmula 1?

Publicado em 29/03/2026 às 12:00
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O acidente de Oliver Bearman, da Haas, no GP do Japão de Fórmula 1, já foi uma preocupação dos pilotos antes mesmo de acontecer. As mudanças da principal modalidade do automobilismo mundial em 2026 ligaram alertas de membros da categoria assim que os carros foram concebidos.

O principal ponto de crítica é a necessidade de gerenciar a energia do motor. Em 2026, houve um aumento na participação elétrica na potência total, de 15% para 50%. Há, ainda, o boost, usado para aumentar a potência, caso haja energia disponível. E o modo ultrapassagem, ativado quando o piloto estiver a menos de um segundo do carro à frente, sustentando a velocidade alta por mais tempo.

O acidente deste domingo aconteceu em meio a uma dinâmica de gestão de energia. Franco Colapinto, da Alpine, perdia velocidade enquanto recarregava a bateria. Já Bearman acelerava e vinha atrás do adversário.

O britânico iria bater no argentino, mas puxou o carro da trajetória. Ele foi para a grama, bateu em placas de sinalização, rodou, atravessou a pista e só parou na barreira de proteção. No momento, Bearman estava a 262 km/h, cerca de 100 km/ha mais que Colapinto. O piloto da Haas saiu apenas com uma contusão no joelho.

Ainda antes da corrida, Fernando Alonso, da Aston Martin, havia criticado as mudanças do motor e alertado para um cenário possível em que uma colisão aconteceria por um piloto mais rápido encontrar outro mais lento à frente.

"Hoje em dia, ultrapassar é acidental. De repente, você se vê com uma bateria mais incluída que a do carro da frente e acaba batendo nele ou ultrapassando. É uma luta evasiva, não uma ultrapassagem", falou o espanhol.

Um dos líderes da Grand Prix Drivers Association (GPDA), o sindicato internacional dos pilotos, Carlos Sainz reiterou a existência de uma área de fuga, o que impediu que Bearman colidisse com Colapinto.

"Aqui tivemos uma espécie de haver uma área de fuga. Agora imagine ir para Baku, Singapura ou Las Vegas e ter esse tipo de velocidade de aproximação e batidas perto dos muros. Nós, da GPDA, já avisamos à FIA que esses acidentes vão acontecer com frequência com esse conjunto de regulamentos, e precisamos mudar algo logo se não quisermos que isso aconteça", falou.

Oscar Piastri, da McLaren, admite que "não há solução fácil" para o problema proposto já que os carros foram concebidos. Ele lembrou que quase colidiu com Nico Hülkenberg, da Audi, na mesma dinâmica em um dos treinos livres.

"Quase bato com o Nico no treino livre porque ele me alcançou umas três vezes mais rápido do que eu esperava na reta, e nós estávamos dois com o acelerador no máximo. Então, acho que temos muito o que aprender como pilotos, e o local do acidente não é um lugar onde você espera que alguém venha de tão longe e com uma diferença de velocidade tão grande. E, enquanto faço isso, coisas assim provavelmente vão acontecer, o que é uma pena", lamentou.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) prometeu uma “revisão estruturada” do regulamento técnico da Fórmula 1 durante uma pausa da categoria em abril. Os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, que ocorreram neste mês, foram cancelados por causa dos conflitos no Oriente Médio.

"Quaisquer possíveis alterações, especialmente aquelas relacionadas ao gerenciamento de energia, cancelam simulações cuidadosas e análises planejadas. A FIA continuará trabalhando em estreita e construtiva colaboração com todas as partes envolvidas para garantir o melhor resultado possível para o esporte, e a segurança continuará sendo um elemento central da missão da FIA", diz um trecho.

VEJA O COMUNICADO DA FIA NA ÍNTEGRA

Na sequência do acidente envolvendo Oliver Bearman no Grande Prêmio do Japão e do papel desempenhado pelas altas velocidades de aproximação no acidente, a FIA gostaria de fornecer os seguintes esclarecimentos.

Desde a sua introdução, o regulamento de 2026 tem sido objeto de discussão contínua entre a FIA, as equipes, os fabricantes de unidades de potência, os pilotos e a FOM. Por definição, esses regulamentos incluem uma série de parâmetros inovadores, particularmente em relação à gestão de energia, que permitem a otimização com base em dados reais.

Tem sido uma posição consistente de todas as partes interessadas que uma revisão estruturada ocorreu após a fase inicial da temporada, para permitir que dados suficientes fossem encontrados e analisados. Várias reuniões estão, portanto, agendadas para abril para avaliar o funcionamento dos novos regulamentos e determinar se são ajustes necessários.

Quaisquer configurações potenciais, especialmente aquelas relacionadas à gestão de energia, excluam simulação de cuidados e análise específica. A FIA continuará a trabalhar em colaboração estreita e construtiva com todas as partes interessadas para garantir o melhor resultado possível para o esporte, e a segurança permanecerá sempre um elemento central da missão da FIA. Nesta fase, qualquer especulação sobre a natureza de possíveis mudanças seria prematura. Novas atualizações serão comunicadas oportunamente.