França critica COI e classifica testes de feminilidade como 'retrocesso'
Governo francês manifesta preocupação com decisão do Comitê Olímpico Internacional de retomar testes genéticos para atletas mulheres em 2028.
A decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de restabelecer testes genéticos para verificação de sexo a partir dos Jogos de Los Angeles, em 2028, gerou críticas do governo francês, que considera a medida um retrocesso.
A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, manifestou preocupação com a nova regra. "Em nome do governo francês, desejo expressar nossa profunda preocupação com essa decisão. Nós nos opomos à generalização dos testes genéticos, que levanta inúmeras questões éticas, legais e médicas, especialmente à luz da legislação francesa sobre bioética", afirmou.
O COI anunciou nesta quinta-feira que apenas atletas biologicamente femininas poderão competir nas provas femininas, e que os testes de feminilidade voltarão a ser exigidos já nos Jogos de 2028.
"A França toma nota dessa decisão, mas, em nome do governo francês, desejo expressar nossa preocupação", reforçou a ministra, lembrando que a prática não é adotada desde o final da década de 1990.
"Esses testes, introduzidos em 1967, foram descontinuados em 1999 devido a fortes reservas da comunidade científica quanto à sua relevância. A França lamenta esse retrocesso", declarou Marina Ferrari.
A ministra também destacou a falta de consideração à diversidade biológica, especialmente de pessoas intersexo. "A medida define o sexo feminino sem levar em conta as especificidades biológicas de indivíduos intersexo, cujas características apresentam variações naturais, resultando em uma abordagem reducionista e estigmatizante", completou.