Telescópio da NASA revela gigantesco fluxo de gás além dos limites de galáxia próxima
Jato impulsionado por buraco negro supermassivo na galáxia VV 340a surpreende cientistas ao se estender por 20 mil anos-luz
Uma equipe internacional de astrônomos identificou um gigantesco fluxo de gás superquente emergindo de uma galáxia próxima, impulsionado por um buraco negro supermassivo localizado em seu centro.
Os jatos, que ultrapassam os limites da própria galáxia, apresentam um padrão helicoidal raro, nunca antes observado. O fenômeno foi detectado pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, capaz de atravessar densas nuvens de poeira e revelar detalhes desse fluxo violento. O estudo, publicado na revista Science, indica que o processo está removendo rapidamente o gás necessário para a formação de novas estrelas.
A descoberta foi feita por astrônomos da Universidade da Califórnia e do laboratório IPAC/Caltech da NASA, em colaboração com o Observatório Keck, no Havaí. Pela primeira vez, foi observado um jato colossal na pequena galáxia espiral VV 340a, saindo do buraco negro supermassivo e alcançando cerca de 20 mil anos-luz de extensão.
Essa estrutura consiste em uma corrente de gás coronal superaquecido, que interage com o ambiente ao redor e desloca material, potencialmente dificultando o surgimento de novas estrelas, segundo a revista Scientific American.
Para compreender a dinâmica do jato, os cientistas combinaram observações ópticas do Observatório W.M. Keck, dados infravermelhos do JWST e registros de rádio do telescópio VLA, no Chile. Dentro da VV 340a, foram identificadas regiões de gás coronal superaquecido sendo expelidas em ambos os lados do buraco negro, formando um fluxo poderoso que se estende por milhares de parsecs.

Segundo Justin Kader, astrofísico da Universidade da Califórnia, Irvine, esse tipo de gás coronal normalmente permanece próximo ao buraco negro e raramente se espalha por grandes distâncias na galáxia hospedeira. Detectá-lo fora dos limites da galáxia é extremamente incomum, tornando a descoberta ainda mais relevante.
A força do fluxo impressiona: de acordo com Kader, a energia transportada pelo gás coronal equivale à explosão de dez quintilhões de bombas de hidrogênio a cada segundo.
As observações de rádio revelaram que o jato assume uma forma helicoidal, semelhante a um S, indicando que a direção da ejeção muda gradualmente ao longo do tempo. Esse comportamento era registrado principalmente em galáxias elípticas gigantes, enquanto a VV 340a é uma galáxia espiral jovem.
À medida que o jato desacelera, ele captura gás mais frio e o expulsa para o espaço, removendo cerca de 20 massas solares por ano. Esse processo reduz drasticamente a reserva de gás e inibe a formação de novas estrelas.
A descoberta desafia o conhecimento atual sobre a ocorrência desse tipo de fenômeno em galáxias espirais. Até então, jatos poderosos e emissões massivas de gás eram mais comuns em galáxias elípticas mais antigas.