ASTRONOMIA – DESCOBERTA

JWST encontra objetos híbridos que desafiam classificação no Universo primitivo

Telescópio James Webb revela corpos celestes com características de estrelas e galáxias, sugerindo nova classe cósmica.

Por Sputinik Brasil Publicado em 11/01/2026 às 10:59
JWST revela objetos com traços de estrelas e galáxias, sugerindo nova classe cósmica no Universo primitivo. © NASA GSFC/CIL/Adriana Manrique Gutierrez

Descoberta pelo Telescópio Espacial James Webb intriga cientistas ao revelar objetos que combinam traços de estrelas e galáxias, levantando a possibilidade de uma nova categoria cósmica e fornecendo pistas inéditas sobre as primeiras estruturas do Universo.

Astrônomos estão intrigados com objetos misteriosos detectados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), que exibem características tanto de estrelas quanto de galáxias. Essa combinação incomum levou os pesquisadores a apelidá-los de "ornitorrincos", em referência ao animal de anatomia singular.

Inicialmente, esses corpos pareciam apenas pontos luminosos típicos de estrelas, mas análises detalhadas mostraram que são ligeiramente maiores e mais difusos do que fontes pontuais convencionais. Segundo o portal Space, Haojing Yan, da Universidade de Missouri, comparou a estranheza desses objetos à do próprio ornitorrinco: cada característica isolada é familiar, mas o conjunto desafia as classificações tradicionais.

Imagem do Telescópio Espacial James Webb mostrando uma vasta área do espaço com muitas galáxias pequenas, quatro das quais estão destacadas em caixas ampliadas. As quatro galáxias destacadas são muito pequenas, aparecendo como pontos de luz. As áreas pretas na imagem indicam onde o telescópio não coletou dados – uma seção vertical no centro e um quadrado no canto inferior esquerdo
Imagem do Telescópio Espacial James Webb mostrando uma vasta área do espaço com muitas galáxias pequenas, quatro das quais estão destacadas em caixas ampliadas. As quatro galáxias destacadas são muito pequenas, aparecendo como pontos de luz. As áreas pretas na imagem indicam onde o telescópio não coletou dados – uma seção vertical no centro e um quadrado no canto inferior esquerdo

A investigação teve início logo após o JWST entrar em operação, em 2021, quando o telescópio passou a revelar fontes compactas de origem desconhecida. Haojing Yan e sua equipe analisaram cerca de 2.000 objetos e identificaram nove especialmente peculiares, que não se encaixavam no padrão esperado para estrelas. Esses objetos foram classificados como "semelhantes a pontos", uma categoria intermediária entre estrelas e galáxias.

O espectro desses corpos trouxe ainda mais surpresas. Em vez das linhas de emissão amplas típicas de estrelas, apareceram linhas estreitas associadas à formação estelar intensa, geralmente vistas em galáxias. Os cientistas cogitaram que fossem quasares, mas descartaram essa hipótese: os objetos são mais fracos e apresentam assinaturas espectrais mais estreitas do que quasares conhecidos. Ainda assim, podem representar um novo tipo de núcleo galáctico ativo (AGN).

Outra possibilidade é que sejam galáxias extremamente jovens, ainda em rápida formação estelar. De acordo com Bangzheng Sun, também da Universidade de Missouri, essas galáxias teriam no máximo 200 milhões de anos e mostrariam um processo de formação "de dentro para fora", algo inédito. O fato de manterem aparência quase pontual sugere uma atividade surpreendentemente pacífica, sem as fusões turbulentas comuns no Universo primitivo.

Apesar dos avanços, a verdadeira natureza desses nove objetos permanece desconhecida. Eles podem representar uma nova classe de AGN ou um tipo raro de galáxia infantil. Os pesquisadores aguardam futuras observações do JWST para encontrar mais exemplos e desvendar esse mistério.