BASTIDORES DO TRICOLOR

Olten detalha quórum do impeachment e nega favorecimento a Casares

Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo esclarece mudanças no processo e reforça que decisões seguem o Estatuto do clube

Publicado em 09/01/2026 às 17:05
Olten detalha quórum do impeachment e nega favorecimento a Casares Reprodução / Instagram

O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu Júnior, explicou as recentes alterações no processo de impeachment de Julio Casares, atual presidente do clube. As declarações foram feitas após a publicação de novo edital, que modificou o quórum necessário para o afastamento do dirigente.

No documento divulgado na quinta-feira, Olten cita o artigo 58 do Estatuto do São Paulo, que exige 75% dos votos dos conselheiros para o afastamento do presidente. Até então, era considerado o artigo 112, que previa dois terços dos votos. “Estou servindo aos interesses do São Paulo. Nenhuma das decisões feriu o Estatuto do São Paulo”, afirmou Olten, negando qualquer favorecimento a Júlio Casares. “Temos, por incrível que pareça, dois artigos que tratam do mesmo tema”, reconheceu, justificando a escolha pelo artigo 58 com base no princípio jurídico in dubio pro reo (“na dúvida, a favor do réu”).

Sobre a alteração da data da votação, de 14 para 16 de janeiro, Olten explicou que a mudança ocorreu devido à exigência estatutária de oito dias de antecedência para os editais de convocação. Com a emissão de uma nova convocatória, foi necessário adiar a reunião.

A oposição solicitou a possibilidade de voto híbrido, temendo esvaziamento da sessão por conta do período de férias. Olten, entretanto, defendeu o voto presencial: “As votações para afastamento do presidente tratam de tema delicado, que mexe com a estrutura e a credibilidade do clube. Quando se fala em voto secreto, acreditamos que deva ser presencial”.

Ele argumentou ainda que “essa situação pode gerar contestação e recontagem. Qualquer tipo de votação híbrida ou online dificulta a supervisão”. Apesar disso, lembrou que expulsões de conselheiros e processos disciplinares já foram realizados de forma híbrida e secreta durante sua gestão.

“O impeachment de um presidente tem importância muito maior e afeta profundamente a vida do clube. Se não fizéssemos a votação presencial, certamente haveria contestação”, reforçou Olten. Ele acrescentou que o voto eletrônico, por si só, não permite auditoria sem revelar o eleitor, o que complica o processo.

Olten também citou episódio recente: ao final do ano passado, o orçamento de 2026 foi aprovado por margem de apenas cinco votos. Houve questionamentos sobre a votação, com alegações de que alguns votos não foram computados, o que foi negado pelo clube.

Como funciona o impeachment no São Paulo?

O processo foi iniciado por um pedido com 57 assinaturas, superando o mínimo de 50. O Conselho Consultivo emitiu parecer contrário ao impeachment, documento que não é determinante, mas serve de base para a discussão.

Se ao menos 191 conselheiros (75% do total) votarem pelo afastamento, Casares será afastado provisoriamente. Em até 30 dias após a votação, uma Assembleia Geral de sócios deve ser convocada para ratificar a decisão, sendo necessária maioria simples. Caso a decisão seja confirmada, Casares será banido do clube. Se optar pela renúncia, mantém-se no Conselho Consultivo — situação semelhante à de Carlos Miguel Aidar, que deixou o cargo em 2015 sob acusações de desvio de recursos.

Sindicância sobre uso irregular de camarote está concluída, diz Olten

O dirigente reconheceu que as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público afetam negativamente o São Paulo, mas preferiu não comentar o tema, alegando não ter acesso aos inquéritos.

Sobre o uso irregular de um camarote no MorumBis, Olten afirmou que a sindicância interna já foi concluída pelo Conselho de Ética. “É bastante densa”, resumiu, frisando que o conteúdo permanece sob sigilo.