INVESTIGAÇÕES

MP pede que PF investigue contratação de gestora da Arena Corinthians

Promotor solicita apuração sobre empresa que administra fundo do estádio, suspeita de ligação com crimes financeiros

Publicado em 07/01/2026 às 10:20
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou nesta terça-feira, 6, que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para investigar a contratação da Reag (atualmente denominada Arandu Investimentos) para a gestão do Fundo da Arena Itaquera, responsável pela administração contábil do estádio do Corinthians.

O pedido foi realizado pelo promotor Cássio Roberto Conserino, que também conduz a investigação sobre o uso indevido de cartões corporativos por ex-dirigentes do Corinthians.

O acordo entre Corinthians e Caixa Econômica Federal, firmado em 2022 durante a gestão do ex-presidente Duílio Monteiro Alves, permitiu a entrada da Reag na estrutura do Fundo Arena. A gestora financeira ficou responsável por garantir o fluxo de repasse dos valores arrecadados pelo clube ao banco estatal. A dívida referente à construção do estádio em Itaquera é de aproximadamente R$ 655 milhões.

A Reag passou a ser investigada pela PF durante a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público Federal. A empresa é suspeita de criar fundos de investimento e adquirir empresas para blindar o patrimônio do Primeiro Comando da Capital (PCC), suspeita que a gestora nega.

Mais recentemente, o nome da Reag também foi envolvido em fraudes do Banco Master. Após a divulgação desses casos, o Corinthians iniciou negociações para substituir a administradora da Arena.

Segundo o ofício encaminhado à Superintendência da PF, Conserino argumenta que a Reag assumiu a administração de fluxos financeiros de alto valor e baixa rastreabilidade ao ser inserida na gestão do estádio. Por isso, o promotor solicita que a polícia apure as circunstâncias e a regularidade da contratação da empresa, bem como sua atuação após a renegociação do contrato junto à Caixa.

"A concentração de vultosos fluxos financeiros em fundo gerido por empresa sob investigação criminal configura elemento indiciário suficiente e justa causa para investigação formal, com o objetivo de verificar eventual utilização da estrutura financeira como instrumento de ocultação, dissimulação de origem ou integração de valores ilícitos ao sistema econômico formal", diz trecho do ofício.

O promotor aponta ainda a possibilidade de crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações contra o sistema financeiro nacional. "Os fatos narrados são, em tese, graves e demonstram possível risco sistêmico financeiro. A investigação não se confunde com gestão esportiva ou administrativa do clube, mas incide sobre fluxos financeiros, governança de fundo e eventual infiltração criminosa nesse cenário."