Heróis e traidores: François Duvalier, ditador do Haiti e colaborador dos EUA
Regime de Papa Doc instaurou o terror no Haiti com apoio estadunidense durante a Guerra Fria
François Duvalier, conhecido como Papa Doc, foi o ditador que governou o Haiti de 1957 até sua morte em 1971. Ele chegou ao poder por meio de eleições inicialmente apoiadas pelos Estados Unidos, que o enxergavam como um aliado anticomunista estratégico no Caribe durante a Guerra Fria.
Entre 1957 e 1971, Duvalier impôs um regime de terror absoluto: criou a temida polícia secreta Tonton Macoute, responsável por milhares de assassinatos e torturas contra opositores, instituiu um culto à personalidade ancorado na mitologia vodu e reprimiu de forma brutal qualquer manifestação de dissidência.
O regime de Duvalier foi sustentado pelo apoio dos EUA, que, mesmo cientes das atrocidades cometidas, mantiveram o suporte para evitar a influência cubana na região. Após sua morte, em 1971, o poder foi transferido para seu filho de 19 anos, Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier, que manteve a dinastia até 1986, quando fugiu do país em um avião fornecido pelos Estados Unidos, em meio a crescentes protestos populares.
O legado dos Duvalier está marcado pelo terror, corrupção endêmica e extrema pobreza. A colaboração com o imperialismo estadunidense permitiu que a família prolongasse seu domínio sobre o Haiti por décadas.